Uma organização criminosa especializada na prática de golpes virtuais em moradores do Distrito Federal foi desarticulada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por meio da operação Tróia, deflagrada nesta quarta-feira (1º/7). A operação contou com o importante apoio operacional da Polícia Civil do Estado de Pernambuco (PCPE), onde o grupo é sediado. As vítimas, no entanto, eram do DF, que sofriam golpes aplicados pela internet, por meio de aplicativos de relacionamento.
As investigações começaram após uma denúncia feita por um morador do Riacho Fundo, que alegou ter sido vítima do "golpe do falso integrante de facção criminosa". Após conhecer uma suposta mulher em um aplicativo de relacionamento e trocar mensagens, o homem passou a receber ameaças de indivíduos que se apresentavam como integrantes de uma facção criminosa.
Eles alegavam que a mulher era casada com um membro do grupo e exigiam pagamentos para que ela não sofresse represálias. O homem acabou realizando transferências bancárias aos bandidos. "O golpe consistia em criar perfis falsos em sites de relacionamentos e após conseguir o contato das vítimas, um terceiro interlocutor, de dentro do presídio, exigia valores se passando por faccionado", relatou o delegado Tell Marzal, da 29ª Delegacia de Polícia.
As apurações permitiram identificar os integrantes da organização, que possuía clara divisão de tarefas: uma camada criava perfis falsos de mulheres em aplicativos de relacionamento e redes sociais para atrair e captar vítimas, enquanto outros integrantes assumiam as conversas, passando-se por membros de facções criminosas e realizando as graves ameaças. Essa célula atuava de dentro do sistema prisional, onde seus integrantes já cumpriam pena por outros crimes, razão pela qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas celas por eles utilizadas no
Presídio de Igarassu/PE.
A investigação também identificou o braço financeiro do esquema, composto por outras três pessoas responsáveis por receber os valores obtidos com os golpes em contas bancárias de terceiros. Após o recebimento, os recursos eram rapidamente pulverizados entre diversas contas laranjas, em típico esquema de lavagem de dinheiro, até o saque final e a reinserção no mercado formal com aparência
de origem lícita. Em relação a esses investigados, também foram cumpridos mandados
de busca e apreensão domiciliar.
As medidas judiciais foram cumpridas nas cidades de Olinda/PE, Tracunhaém/PE, Paulista/PE e no Presídio de Igarassu/PE, com a apreensão de diversos dispositivos informáticos, como celulares, computadores e outras mídias digitais, que serão submetidos à perícia técnica pela Seção de Perícia de Informática (SPI) do Instituto de Criminalística da PCDF (IC/PCDF), com o objetivo de aprofundar as investigações, identificar outras vítimas e individualizar a participação de cada integrante.
