Integrantes de uma organização criminosa especializada no chamado golpe do intermediário foram alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quinta-feira (9/7). A ação, coordenada pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio judicial de ativos financeiros dos investigados.
Diferentemente do golpe do falso anúncio, nessa modalidade criminosa o estelionatário não cria um anúncio inexistente. Em vez disso, ele localiza um anúncio verdadeiro publicado por um vendedor em plataformas de compra e venda e passa a intermediar a negociação de forma fraudulenta.
Enquanto convence o vendedor de que o comprador é uma pessoa de sua confiança, faz o comprador acreditar que está negociando diretamente com o proprietário do bem. No momento da venda, a vítima transfere o pagamento via PIX para uma conta indicada pelo criminoso, acreditando estar pagando ao verdadeiro vendedor. Já o proprietário entrega o produto sem receber qualquer valor. O golpe só é descoberto depois que a negociação é concluída.
Investigação
As investigações começaram após uma vítima registrar ocorrência no Distrito Federal. Ao longo das diligências, os policiais identificaram que o caso fazia parte de um esquema muito maior, o que permitiu relacionar outras 15 ocorrências registradas entre 2024 e 2025, todas atribuídas ao mesmo grupo criminoso e praticadas com o mesmo modus operandi.
O prejuízo comprovado às vítimas já soma cerca de R$ 15 mil. No entanto, segundo a PCDF, esse valor representa apenas uma parte da atuação da organização, já que os crimes eram praticados pela internet e podem ter feito vítimas em outros estados.
As investigações apontaram que o grupo possuía uma estrutura organizada para dificultar a identificação dos envolvidos e ocultar o destino do dinheiro obtido com as fraudes. Os valores transferidos pelas vítimas eram enviados para contas bancárias de terceiros e familiares e, em seguida, pulverizados por meio de transferências instantâneas e saques em espécie, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento financeiro e a recuperação dos recursos.
A identificação dos suspeitos foi possível com o uso de técnicas de investigação cibernética e inteligência financeira. Segundo a corporação, o cruzamento de dados telemáticos, bancários, cadastrais e patrimoniais permitiu comprovar a atuação coordenada da organização e individualizar a participação de cada integrante.
Alvos
Os principais alvos da operação são cinco investigados, quatro homens e uma mulher, moradores de Santo Antônio do Descoberto (GO), apontados como integrantes do núcleo responsável pela aplicação dos golpes e pela movimentação dos valores obtidos das vítimas.
De acordo com a investigação, eles mantinham vínculos familiares, financeiros, telemáticos e geográficos, evidenciando divisão de tarefas dentro da organização criminosa. A PCDF informou ainda que parte dos investigados possui antecedentes criminais. Um dos principais suspeitos, de 29 anos, já responde por crimes patrimoniais e homicídio em Goiás.
A Justiça autorizou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o acesso aos dados armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos e o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 14.650, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento às vítimas.
Operação
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam materiais que serão analisados para aprofundar as investigações, entre eles celulares, computadores, mídias digitais, documentos, cartões bancários, dinheiro em espécie e outros elementos considerados de interesse para a apuração. A expectativa é identificar a extensão da atuação do grupo e a possível participação de outros envolvidos.
Ao fim das investigações, os suspeitos deverão ser indiciados pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A PCDF orienta que compradores e vendedores redobrem a atenção em negociações realizadas por aplicativos e plataformas de comércio eletrônico. A principal recomendação é nunca realizar pagamentos para terceiros que não sejam o verdadeiro proprietário do bem anunciado e sempre confirmar a identidade do vendedor antes de efetuar qualquer transferência bancária. Segundo a corporação, medidas simples como essas são capazes de evitar prejuízos causados pelo golpe do intermediário, modalidade que tem feito vítimas em todo o país.
