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'Tesouro substitui a Quadra', diz secretário de economia sobre BRB

Secretário de Economia afirmou que encerramento das tratativas com a gestora não compromete a recuperação do banco. Ele destacou que a liquidez do GDF supera os recursos esperados na operação e diz que a capitalização de R$ 6,6 bilhões pelo FGC está na fase final

O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira, afirmou ao Correio que o encerramento das negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e a Quadra Capital não compromete o plano de recuperação financeira da instituição. Segundo ele, a liquidez do Tesouro do DF já é suficiente para suprir os recursos que seriam obtidos com a operação.

Nesta sexta-feira (17/7), o BRB informou, em nota oficial, que as negociações foram encerradas “de forma consensual”, após o término do período previsto para as tratativas. De acordo com o banco, a decisão ocorreu por “divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação”. A instituição também afirmou que passará a conduzir diretamente a gestão e a recolocação desses ativos no mercado.

O acordo previa que a Quadra Capital iria estruturar um fundo de investimento para adquirir e gerir R$ 15 bilhões em ativos do BRB, pagando R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões à vista. O restante seria convertido em cotas subordinadas do fundo e monetizado ao longo do tempo.

Valdivino explicou que a negociação com a Quadra era uma das frentes adotadas para reforçar a liquidez do BRB, mas que o cenário mudou nos últimos meses em razão da recuperação das contas públicas do Distrito Federal. “Hoje, já temos liquidez no GDF. Então, se a operação com a Quadra não ocorrer, ela não será um fator muito negativo para o banco, porque nós já substituímos essa liquidez com a liquidez do Tesouro do GDF”, afirmou.

Segundo o secretário, a operação com a Quadra tinha como finalidade ampliar a liquidez da instituição, enquanto a capitalização do banco será garantida pela operação de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “O BRB tinha dois problemas: um era a liquidez diária do banco, que estava muito baixa quando nós assumimos. O segundo era a capitalização, porque ele teve que fazer provisão dos ativos do Master, o que alterou o patrimônio do banco”, explicou.

O Valdivino destacou que quando as negociações com a Quadra começaram, no início de abril, a operação era considerada essencial. Hoje, segundo ele, o cenário é diferente. “No começo de abril, o negócio da Quadra era fundamental porque nós não tínhamos liquidez nem no GDF nem no BRB. Agora isso mudou. Hoje, o Tesouro substitui a Quadra perfeitamente”, ressaltou.


Capitalização em fase final

Valdivino afirmou que a operação de capitalização do BRB junto ao Fundo Garantidor de Créditos está praticamente concluída. Segundo ele, o aval do sindicato dos bancos foi obtido e restam apenas reuniões técnicas para a assinatura do contrato. “A operação com o FGC está concluída na parte do aval do sindicato dos bancos. Devemos ter uma reunião com o Banco do Brasil e, depois, a última reunião com o FGC para acertar os termos do contrato”, afirmou.

De acordo com o secretário, assim que o contrato for assinado, os recursos serão liberados quase imediatamente. “O Fundo Garantidor coloca o dinheiro na conta do GDF e o GDF imediatamente faz a subscrição de capital do banco. É uma coisa imediata, em 24 horas, no máximo”, disse. Segundo ele, o restante do processo dependerá apenas da publicação de um decreto autorizando a transferência dos recursos ao banco.

Procurada pela reportagem, a Quadra Capital não se manifestou até a publicação desta matéria.

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