
O secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal, Rafael Santana, detalhou, nessa sexta-feira (31/7), ações feitas pela pasta para prevenir incêndios florestais. Em entrevista ao CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, Santana disse que a preocupação com as queimadas é maior neste ano devido ao que tem sido chamado de Super El Niño, que deve agravar a seca. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Roberto Fonseca, o secretário também explicou como vai ser a primeira celebração do Dia das Caminhadas nas Trilhas Ecológicas do Distrito Federal, comemorado hoje.
Quais são os efeitos do Super El Niño no Distrito Federal?
O El Niño é um fenômeno natural que acontece com o aumento de temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Isso causa um pouco de descontrole em diversas áreas do Brasil. Aqui no Centro-Oeste, em especial, ele causa o aumento da temperatura. Está previsto um Super El Niño. É um momento crítico para a seca em Brasília. Estamos no período de teste para saber o que vai acontecer. A nossa parte, como Secretaria do Meio Ambiente, é atuar na prevenção, na informação e na conscientização de toda a população do DF para ela se preparar.
Qual é a consequência mais grave que precisa ser considerada do ponto de vista da Secretaria do Meio Ambiente?
A Secretaria do Meio Ambiente junto com o Plano de Prevenção de Combate a Incêndios Florestais (PPCif) tem atuado na construção de aceiros nas áreas de preservação ambiental, no treinamento e na contratação de brigadistas e na conscientização da população a respeito do manejo das queimadas. Uma das maiores preocupações que Brasília tem, em todos os anos, são os incêndios florestais. Devido ao aumento de temperatura e diminuição da umidade aqui no DF, essa preocupação se torna ainda maior.
Qual é a previsão para o cenário durante a seca?
O ápice do El Niño, no DF, vai acontecer de setembro a novembro. A Secretaria do Meio Ambiente tem trabalhado em conjunto com os bombeiros, com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos ambientais no apoio à população para preservar vidas, nossa fauna e nossa flora. No DF, a partir da Semana do Meio Ambiente, em junho, nós desenvolvemos o projeto das câmeras Sem Fogo. Elas foram instaladas na Torre de TV Digital de Brasília e no topo do Shopping JK viradas para a Floresta Nacional a fim de que a gente mapeie o território ambiental para verificar focos de incêndio e para ver mudanças de temperatura. É a tecnologia trabalhando em favor do meio ambiente a fim de que o combate seja ainda mais efetivo. É também um cuidado antecipado para que a gente não espere que o fogo se alastre para agir.
Como vocês estão trabalhando a prevenção de uma forma ativa e não reativa?
Isso faz parte do PPCif. Com apoio da Secretaria de Educação, visitamos estudantes da rede pública justamente em áreas rurais, onde há o maior foco de incêndios florestais no período de seca. Com os estudantes e todo o corpo da PPCif, a gente faz o que chamamos de blitz educativa. Paramos cerca de 100 e 150 carros com apoio do Detran e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Às vezes, causa um susto inicial, mas, quando os carros vêm até a abordagem, eles percebem que quem vai abordar os veículos são as próprias crianças. O PPCif entra nos colégios, educa as crianças a respeito desse período de seca, elas fazem um material educativo e, durante a blitz, levam os seus cartazes, desenhos e param os veículos informando que esse período vai ser muito crítico, para ter cuidado com ponta de cigarro, com fogo, lixo, resto de poda, etc. É um trabalho fundamental. Afinal, educando as crianças, a gente está educando o presente e o futuro. As próprias crianças começam a ser vigias dos próprios pais. Fizemos sete blitze educativas em todo o DF. Parte da nossa conscientização para esse período tem acontecido também em todos os GDFs na Sua Porta.
Como vai ser a caminhada ecológica?
Na primeira semana de junho, mês do meio ambiente, nós publicamos um decreto instituindo o primeiro sábado de agosto como o Dia das Caminhadas nas Trilhas Ecológicas do DF. Essa caminhada acontece nas trilhas do DF. Aqui, nós temos aproximadamente 25 trilhas registradas, mas a caminhada vai acontecer em 18 delas. É aberto para a população como um todo. Vai ter trilheiros profissionais e amadores. Cada percurso tem níveis diferentes. A participação da população nessas políticas públicas, no envolvimento direto com a natureza, aumenta a consciência ecológica como um todo. Então, a gente convida toda a população a participar desse momento que, com certeza, vai ser extraordinário e histórico. E não é preciso fazer inscrição.
*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates

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