Entrevista

DF reforça ações contra incêndios com risco de Super El Niño

Ao CB.Agro, secretário do Meio Ambiente falou sobre o risco maior de queimadas no DF por causa do Super El Niño. Titular da pasta também comentou sobre câmeras usadas para monitorar a Floresta Nacional e sobre blitze educativas

 31/07/2026 Davi Pereira/CB/D.A Press Rafael Santana, secretario do Meio Ambiente do DF, é o entrevistado do CB Agro de hoje. -  (crédito:  Davi Pereira/CB/D.A Press)
31/07/2026 Davi Pereira/CB/D.A Press Rafael Santana, secretario do Meio Ambiente do DF, é o entrevistado do CB Agro de hoje. - (crédito: Davi Pereira/CB/D.A Press)

O secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal, Rafael Santana, detalhou, nessa sexta-feira (31/7), ações feitas pela pasta para prevenir incêndios florestais. Em entrevista ao CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, Santana disse que a preocupação com as queimadas é maior neste ano devido ao que tem sido chamado de Super El Niño, que deve agravar a seca. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Roberto Fonseca, o secretário também explicou como vai ser a primeira celebração do Dia das Caminhadas nas Trilhas Ecológicas do Distrito Federal, comemorado hoje. 

Quais são os efeitos do Super El Niño no Distrito Federal? 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

O El Niño é um fenômeno natural que acontece com o aumento de temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Isso causa um pouco de descontrole em diversas áreas do Brasil. Aqui no Centro-Oeste, em especial, ele causa o aumento da temperatura. Está previsto um Super El Niño. É um momento crítico para a seca em Brasília. Estamos no período de teste para saber o que vai acontecer. A nossa parte, como Secretaria do Meio Ambiente, é atuar na prevenção, na informação e na conscientização de toda a população do DF para ela se preparar. 

Qual é a consequência mais grave que precisa ser considerada do ponto de vista da Secretaria do Meio Ambiente? 

A Secretaria do Meio Ambiente junto com o Plano de Prevenção de Combate a Incêndios Florestais (PPCif) tem atuado na construção de aceiros nas áreas de preservação ambiental, no treinamento e na contratação de brigadistas e na conscientização da população a respeito do manejo das queimadas. Uma das maiores preocupações que Brasília tem, em todos os anos, são os incêndios florestais. Devido ao aumento de temperatura e diminuição da umidade aqui no DF, essa preocupação se torna ainda maior. 

Qual é a previsão para o cenário durante a seca?

O ápice do El Niño, no DF, vai acontecer de setembro a novembro. A Secretaria do Meio Ambiente tem trabalhado em conjunto com os bombeiros, com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos ambientais no apoio à população para preservar vidas, nossa fauna e nossa flora. No DF, a partir da Semana do Meio Ambiente, em junho, nós desenvolvemos o projeto das câmeras Sem Fogo. Elas foram instaladas na Torre de TV Digital de Brasília e no topo do Shopping JK viradas para a Floresta Nacional a fim de que a gente mapeie o território ambiental para verificar focos de incêndio e para ver mudanças de temperatura. É a tecnologia trabalhando em favor do meio ambiente a fim de que o combate seja ainda mais efetivo. É também um cuidado antecipado para que a gente não espere que o fogo se alastre para agir. 

Como vocês estão trabalhando a prevenção de uma forma ativa e não reativa?

Isso faz parte do PPCif. Com apoio da Secretaria de Educação, visitamos estudantes da rede pública justamente em áreas rurais, onde há o maior foco de incêndios florestais no período de seca. Com os estudantes e todo o corpo da PPCif, a gente faz o que chamamos de blitz educativa. Paramos cerca de 100 e 150 carros com apoio do Detran e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Às vezes, causa um susto inicial, mas, quando os carros vêm até a abordagem, eles percebem que quem vai abordar os veículos são as próprias crianças. O PPCif entra nos colégios, educa as crianças a respeito desse período de seca, elas fazem um material educativo e, durante a blitz, levam os seus cartazes, desenhos e param os veículos informando que esse período vai ser muito crítico, para ter cuidado com ponta de cigarro, com fogo, lixo, resto de poda, etc. É um trabalho fundamental. Afinal, educando as crianças, a gente está educando o presente e o futuro. As próprias crianças começam a ser vigias dos próprios pais. Fizemos sete blitze educativas em todo o DF. Parte da nossa conscientização para esse período tem acontecido também em todos os GDFs na Sua Porta. 

Como vai ser a caminhada ecológica? 

Na primeira semana de junho, mês do meio ambiente, nós publicamos um decreto instituindo o primeiro sábado de agosto como o Dia das Caminhadas nas Trilhas Ecológicas do DF. Essa caminhada acontece nas trilhas do DF. Aqui, nós temos aproximadamente 25 trilhas registradas, mas a caminhada vai acontecer em 18 delas. É aberto para a população como um todo. Vai ter trilheiros profissionais e amadores. Cada percurso tem níveis diferentes. A participação da população nessas políticas públicas, no envolvimento direto com a natureza, aumenta a consciência ecológica como um todo. Então, a gente convida toda a população a participar desse momento que, com certeza, vai ser extraordinário e histórico. E não é preciso fazer inscrição.

*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates

  • Google Discover Icon
postado em 01/08/2026 05:00
x