CASO MASTER

Correio/Opinião: 75% são a favor de prisão para fraudadores do BRB

Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política destaca que 75,8% dos eleitores entrevistados defendem a condenação dos responsáveis pela fraude bilionária do Banco de Brasília nas negociações para compra do Master

PHC foi preso preventivamente no âmbito da quarta fase da Operação Compliance Zero -  (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)
PHC foi preso preventivamente no âmbito da quarta fase da Operação Compliance Zero - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

Três em cada quatro moradores do Distrito Federal defendem a condenação e a prisão dos envolvidos no escândalo do Banco Master e BRB. A segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política apontou que 75,8% são favoráveis a esse desfecho do caso que provocou um rombo bilionário no banco público da capital do país.

Entre os entrevistados no levantamento que foi a campo entre 30 de julho e 1º de agosto, em 31 das 33 regiões administrativas do DF, 17,4% disseram que os envolvidos não devem ser condenados e presos. Outros 6,8 não souberam responder. A pesquisa — que tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos — foi registrada na Justiça Eleitoral sob o código DF-04077/2026.

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O levantamento avaliou a preferência política dos eleitores da capital por influência dos denúncias, reveladas pela Operação Compliance Zero, de compra de títulos inexistentes, fraudados ou de difícil reparação por parte do BRB que teriam provocado um prejuízo bilionário.

A pesquisa indica que a crise interfere na escolha dos candidatos de metade dos eleitores: 48,7% disseram que a decisão vai levar em conta esse contexto. Outros 47,9% responderam que não vão votar sob influência do episódio que envolveu políticos e autoridades dos Três Poderes. No levantamento, 3,3% não souberam responder.

Na Papudinha

O escândalo do BRB é considerado uma das maiores fraudes do sistema financeiro nacional e que levou à prisão o ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa, que dirigiu o banco entre janeiro de 2019 e novembro de 2025. O executivo chegou ao cargo após indicação do então governador Ibaneis Rocha (MDB) e foi afastado em novembro de 2025, após a primeira fase da Operação Compliance Zero, pelo próprio governador. Antes de assumir o comando do banco, PHC era vice-presidente de clientes, negócios e transformação digital da Caixa Econômica Federal.

Durante sua gestão esteve à frente do BRB nas negociações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master. A operação, posteriormente, passou a ser um dos principais focos das investigações da Polícia Federal, que apura possíveis irregularidades e operações sem lastro entre as duas instituições, que pode superar R$ 15 bilhões.

Após o afastamento, PHC passou a ser investigado por suspeitas relacionadas ao descumprimento de práticas de governança e à autorização de operações envolvendo ativos fraudulentos do Master. Em depoimento prestado à Polícia Federal em dezembro, o ex-presidente do BRB afirmou que "não tinha clareza" sobre o esquema de fraude no banco.

A investigação avançou nos meses seguintes. Em abril, PHC foi preso preventivamente no âmbito da quarta fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo. O ex-presidente do BRB foi levado para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde o banqueiro Daniel Vocaro, presidente do Master, também está. 

Pesquisa eleições 2026, banco Master e BRB
Pesquisa eleições 2026, banco Master e BRB (foto: Valdo Virgo)

Títulos podres

Os papéis negociados entre o BRB e o Master eram considerados de alto risco e, segundo as investigações, apresentavam inconsistências que deveriam ter sido identificadas durante os procedimentos de análise e verificação realizados pelo banco público.

A dinâmica funcionava a partir da transferência dessas carteiras podres do Banco Master para o BRB. Na prática, o BRB desembolsava bilhões de reais para adquirir créditos que, posteriormente, poderiam apresentar dificuldade de recuperação ou não ter o valor declarado originalmente. O negócio permitia ao Master transformar ativos de qualidade duvidosa em recursos disponíveis, enquanto o risco de inadimplência passava para o banco público.

Documentos e mensagens obtidos durante a investigação indicam que as negociações envolviam diferentes etapas e interlocutores, enquanto os ativos eram apresentados ao BRB de forma a viabilizar sua aquisição. A suspeita é de que falhas nos mecanismos de controle e governança tenham permitido que carteiras de crédito problemáticas fossem incorporadas ao patrimônio do banco público.

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as prisões de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, aponta para "graves falhas de governança" na gestão anterior do BRB. No documento, aparecem diálogos entre os dois executivos que, segundo a investigação, indicam que Paulo Henrique tinha conhecimento de inconsistências relacionadas às carteiras oferecidas pelo Master.

 


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postado em 05/08/2026 01:11 / atualizado em 05/08/2026 01:18
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