Entrevista | Alexandre Garcia e Carlos André Machado | do Opinião Inteligência Política

Pesquisa Correio/Opinião: "Esquerda precisa entrar em campo", avaliam especialistas

Ao CB.Poder, os especialistas em pesquisa eleitoral avaliam o mais recente levantamento sobre intenção de voto no DF. Para eles, a esquerda está estagnada, e Celina Leão e José Roberto Arruda devem se enfrentar em um eventual 2º turno

Em entrevista ao CB.Poder desta quarta-feira (5/8), Alexandre Garcia, CEO do Opinião Inteligência Política, e Carlos André Machado, diretor de negócios do Opinião,  detalharam como os números registrados na última pesquisa feita em parceria com o Correio impactam o cenário político no DF -  (crédito: Davi Pereira/CB/D.A Press)
Em entrevista ao CB.Poder desta quarta-feira (5/8), Alexandre Garcia, CEO do Opinião Inteligência Política, e Carlos André Machado, diretor de negócios do Opinião, detalharam como os números registrados na última pesquisa feita em parceria com o Correio impactam o cenário político no DF - (crédito: Davi Pereira/CB/D.A Press)

Após a publicação da segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, que avalia a intenção de voto dos eleitores brasilienses, Alexandre Garcia, CEO do instituto responsável pela sondagem; e Carlos André Machado, diretor de negócios, analisaram os dados, ontem, em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, os dois afirmaram que a tendência é de que haja segundo turno entre Celina Leão (PP) e José Roberto Arruda (PSD). Eles avaliam que a esquerda está estagnada. Em relação à disputa ao Senado, a análise é de que ela  será marcada mais pela polarização entre esquerda e direita do que a disputa para governador.  

Quais são as principais avaliações dessa pesquisa para as eleições de 2026 no DF?

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Alexandre Garcia: Celina teve um leve crescimento. Ela foi quem mais cresceu em comparação com a primeira rodada da pesquisa. Arruda está mais estacionado. No entanto, se as eleições fossem hoje, o segundo turno era certo. Há uma tendência para que haja, de fato, o segundo turno, mantidas as condições que estamos observando hoje. 

Carlos André: É interessante comparar com a rodada que fizemos em junho. A esquerda ainda não havia conseguido se apresentar para o eleitorado. A gente percebe que o candidato Leandro Grass (PT) está praticamente na mesma posição que estava na rodada passada. Essa é uma certeza: o retrato da pesquisa traz que a esquerda ainda precisa entrar em campo nessas eleições. 

Considera que se Leandro Grass e Ricardo Capelli (PSB) se unissem, isso faria deles mais competitivos? 

Alexandre: Pela análise histórica de votos para a esquerda progressista, para o pleito de governo, eles têm um teto baixo. Pode ser que, com o caminhar da campanha e a definindo a posição sobre Arruda concorrer ou não, que eles se qualifiquem para um segundo turno. Mas acho muito difícil uma mudança de tendência, porque, nas últimas eleições, a gente observa que a esquerda progressista, para o cargo de governo do Distrito Federal, não consegue performar a ponto de ser competitiva. É uma análise pelo cenário passado e pela dificuldade que a gente observou de Leandro Grass, que saiu de uma outra eleição com cerca de 23% dos votos, se não me engano, ele não consegue recuperar parte desses votos, ele não bateu nem 10%. Esperávamos ele com uma performance melhor nessa largada, mas a gente sabe que a esquerda ainda está definindo para qual caminho seguir.

O ex-governador Arruda tem 24% das intenções de votos. Se ele não conseguir registrar a candidatura, para onde iriam esses votos? 

Alexandre: Boa parte deles iriam para Celina. Acredito que ela seria a maior favorecida, mas não sei se seria o suficiente para ela levar no primeiro turno. Para um eventual segundo turno sem Arruda, o cenário pode ser bem diferente, porque a gente não sabe como ele vai se posicionar em relação a Celina. Não sabemos quais serão as novas conexões feitas a partir do primeiro turno. Então, a situação de Arruda muda completamente o cenário. 

Para onde ele for, leva grande parte de seu eleitorado ou esse eleitorado segue o próprio ritmo?

Alexandre: Ele pulveriza, mas com certeza uma parte vai caminhar com ele. 

Carlos: Historicamente, a esquerda tem sempre 20% ou 30% de certa forma bem sedimentada na capital federal. Então, parte desses votos de Arruda certamente podem melhorar o desempenho da esquerda. No entanto, eu concordo que a Celina passa a ser a maior beneficiária dessa situação.

Alexandre: Se a gente olhar para a consulta espontânea, Arruda está com cerca de 10% das intenções de voto. Esse é o voto sedimentado de Arruda. Esse eleitor, possivelmente, vai caminhar com ele.

O que a gente pode ler da pesquisa de intenção de voto para o Senado? 

Alexandre: É importante explicar que os percentuais somam os dois votos. Por esse motivo, os percentuais são mais encorpados. O que a gente percebe é a Leila do Vôlei (PDT) fortalecida. Ela está performando muito bem. Achei que ela estava com uma boa performance, mas não imaginei que pudesse crescer tanto. Michelle Bolsonaro (PL) está muito bem posicionada. Houve várias situações nos últimos dias que, de certa forma, podem ter interferido na intenção de voto de Michelle. Aqui, temos a polarização de esquerda e direita. Diferentemente dos votos para o GDF, que a gente percebe que ele é mais um voto de gestor, com uma preocupação se o candidato tem ou não capacidade para gerir o DF. No Senado, há mais um alinhamento ideológico. Leila capta boa parte dos votos de esquerda. Quando estudamos o voto dela, a gente vê que boa parte desse eleitor também vota em Lula (PT). Erika Kokay também capta os votos da esquerda. Michelle é ponta de lança para os votos da direita, com Bia Kicis (PL) em quarto. Resta saber como as duas vão caminhar juntas e como o presidente Lula vai se posicionar em relação às candidatas de esquerda. 

Carlos: Curiosamente, nós temos três candidatos de direita: Sebastião Coelho (Novo), Michelle e Bia Kicis. Os votos estão divididos entre esses três candidatos. Na esquerda, Leila sai com essa vantagem importante. 

Há um segundo cenário para o Senado com o nome de Paulo Octávio. Nele, Sebastião Coelho fica um pouco abaixo de Paulo Octávio. Ele tira votos de todo mundo? 

Alexandre: Isso. Ele tira em proporções maiores de Michelle e de Leila, cerca de 30% da composição dos votos dele vem de cada uma dessas candidatas. De Bia e Erika, ele tira cerca de 10%. Aqueles que são mais moderados, mais de centro, tendem a migrar para o Paulo Octávio. 

» Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

 


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postado em 06/08/2026 05:00 / atualizado em 06/08/2026 07:56
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