ELEIÇÕES 2026

José Roberto Arruda (PSD) diz que volta à disputa para "resgatar Brasília"

Em sabatina promovida pelo Correio, o ex-governador garantiu estar elegível, criticou a atual gestão do GDF e apresentou propostas de saneamento, corte de gastos com cargos comissionados e mobilidade. Ele defendeu a expansão imediata do metrô

 José Roberto Arruda (PSD) garantiu estar elegível para concorrer ao GDF, criticou a atual gestão e apresentou propostas de governo
       -  (crédito: Fotos: Ed alves/CB/D.A Press)
José Roberto Arruda (PSD) garantiu estar elegível para concorrer ao GDF, criticou a atual gestão e apresentou propostas de governo - (crédito: Fotos: Ed alves/CB/D.A Press)

O ex-governador José Roberto Arruda, candidato do PSD ao governo do Distrito Federal (GDF), justificou seu retorno à disputa eleitoral por conta do "desgoverno e bagunça" em que vice a capital federal. Confrontado sobre seu histórico e os processos judiciais do passado, o político assegurou estar elegível e afirmou ter respondido a todas as acusações na Justiça, sustentando que as provas foram anuladas a pedido do próprio Ministério Público.

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A crise financeira do Banco de Brasília (BRB) esteve no centro do debate. Arruda comparou a instituição a um "doente na UTI" e condenou a solicitação do banco para adiar a divulgação do balanço oficial para depois do período eleitoral, apontando que o rombo nas contas pode variar entre R$ 6,6 bilhões e R$ 20 bilhões. "A preocupação que eu tenho é de que o atual governo possa estar empurrando com a barriga para deixar o BRB quebrar depois da eleição, porque o banco pediu para publicar o balanço depois do pleito", apontou.

Para reverter o cenário e garantir a liquidez da instituição, o candidato do PSD sugeriu uma reestruturação no modelo de operação do BRB, cujas propostas incluem a desmobilização de operações fora do DF e o enxugamento de custos com publicidade. "Solução que eu advogo para salvar o BRB: primeiro, fechar as 19 agências de fora de Brasília. Segundo, instituir um PDV (Programa de Desligamento Voluntário). Terceiro, cortar patrocínio de times de futebol e sala VIP. Gastos desnecessários", elencou.

Além do enxugamento administrativo, reforçou que o plano de recuperação do banco depende do restabelecimento do diálogo entre o Palácio do Buriti e o Palácio do Planalto, independentemente de divergências ideológicas. "Sem o governo federal, é muito difícil salvar o BRB. Se a gente perder o BRB, vamos perder a ferramenta mais importante para o desenvolvimento econômico da capital", defendeu.

Críticas ao Iges

Ao avaliar a área de saúde, Arruda concentrou críticas à atuação do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), defendendo uma reformulação profunda no modelo de gestão. "O Iges virou um cabide de emprego. Tem mais de 800 funcionários que não têm nenhuma capacitação na área de saúde e estão lá por serem indicados de deputados. O departamento de compras virou um mercado persa", acusou.

O postulante prometeu exonerar cargos apadrinhados para investir na contratação de profissionais de saúde e na construção de novas unidades no Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente. "Nós precisamos de mais 150 equipes de Saúde da Família e de mil médicos. Basta demitir os 722 cabos eleitorais na Casa Civil e contratar os médicos", avaliou.

No campo da segurança pública e do ordenamento urbano, o candidato do PSD adotou um tom de tolerância zero em relação a ocupações irregulares e ao avanço do crime na área central da capital. Destacou que a insegurança deixou de afetar apenas as periferias e passou a atingir bairros nobres, citando episódios recentes como a morte de um jovem esfaqueado na 113 Sul e a invasão de um prédio com reféns na 302 Sul. 

"As invasões ali perto da UnB (Universidade de Brasília) e outras espalhadas pela cidade, eu tiro no primeiro dia. Aqui é a capital do país, tombada como patrimônio histórico; não é casa sem governo. O centro de triagem e recuperação tem que ser distante do centro urbano. Vamos mudar o Centro Pop, fazer o acolhimento para os albergues, oferecer casas de recuperação para usuários de drogas e, para o resto, polícia e mão forte", declarou.

Subsídios para ônibus

Em relação à mobilidade urbana, o candidato classificou como desperdício o repasse anual de R$ 2 bilhões em subsídios às empresas de ônibus e prometeu alterar a fórmula de remuneração das concessionárias. "Com R$ 2 bilhões jogados fora no subsídio das empresas de ônibus, dava para fazer 20km de metrô por ano", pontuou.

Entre as propostas estruturantes, Arruda detalhou a expansão de quatro linhas de metrô conectando Ceilândia, Sol Nascente, Águas Lindas, Gama, Santa Maria e o Entorno, a implementação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na W3 e do projeto Interbairros, além da construção do Anel Rodoviário para retirar o tráfego de cargas pesadas do centro urbano. "Não se sabe exatamente o número de carros que vêm do Entorno todos os dias, mas há, de segunda a sexta-feira, aproximadamente 3 milhões de veículos. Não existe um planejamento de mobilidade urbana sem novas linhas de metrô", acrescentou.

No debate sobre sustentabilidade e preservação ambiental, o candidato do PSD defendeu ações imediatas para a proteção dos mananciais hídricos do DF e o avanço no projeto de áreas verdes urbanas. "As invasões de terra e as construções irregulares que estão sendo feitas em regiões de mananciais precisam ser retiradas", enfatizou. O candidato prometeu ainda tirar do papel o projeto do Parque Burle Marx, na Asa Norte.

Segundo Arruda, a agenda de desenvolvimento sustentável da capital federal está diretamente atrelada ao combate à desigualdade social e à universalização do saneamento básico nas regiões administrativas. "Saneamento básico e infraestrutura são o ponto inicial de uma cidade sustentável. Levar infraestrutura é o primeiro dever de casa: redes de águas pluviais, redes de esgoto e rede de água", declarou. 

Funcionalismo

Para o funcionalismo público, Arruda firmou o compromisso de realizar a convocação de concursados logo no início da gestão. "No dia da minha posse, vai ser uma posse coletiva com os 3,3 mil servidores da educação concursados que estão em espera. Trata-se de valorizar aqueles que estudaram e foram aprovados", pontuou.

Questionado sobre a viabilidade jurídica de sua candidatura, Arruda sustentou que cumpriu os prazos previstos na Lei da Ficha Limpa e que sua situação está respaldada pela legislação vigente. O político reconheceu erros do passado, mas defendeu que sua trajetória é marcada por grandes entregas administrativas na capital. "Paguei caro por isso, aprendi a lição, foi uma longa travessia do deserto. A discussão em Brasília será se o eleitor quer continuar com o atual governo ou se quer um projeto de mudança. Eu ofereço a minha experiência, de cara limpa, para resgatar Brasília e a minha história", finalizou.

 

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postado em 12/08/2026 05:00
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