
O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, apresentou, durante sabatina promovida nesta terça-feira (11/8) pelo Correio, um conjunto de propostas para áreas como educação, saúde, segurança pública, cultura, gestão administrativa e desenvolvimento econômico. Ao longo da entrevista, o petista também criticou a atual administração do Distrito Federal, questionou a condução das contas públicas e defendeu uma mudança na forma como o governo local utiliza os recursos disponíveis.
Leia a cobertura completa da sabatina
- Celina Leão: "Resolver problemas com responsabilidade"
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Samara Mineiro (UP): Educação é uma das prioridades
- Robson Raymundo (PSTU): Conselho gestor para orçamento
- Ricardo Cappelli (PSB): "Choque de ordem na gestão"
- Elisson Ferreira (Agir): Governança com transparência
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): Estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
Na discussão sobre estrutura administrativa, Grass tratou do antigo Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga. O complexo, segundo ele, pode ser utilizado para reduzir despesas com aluguel de imóveis ocupados atualmente por órgãos do governo. "Desataremos o nó do Centrad, para resolver (essa questão) juridicamente e financeiramente, porque o rendimento que teremos, deixando de pagar aluguel milionário e levando parte do governo para lá, vai ser significativo", afirmou.
Grass também disse que pretende reformular a estrutura de secretarias e modernizar o funcionamento do Estado sem simplesmente ampliar o tamanho da máquina pública. A proposta, de acordo com o candidato, é ter uma administração baseada em critérios técnicos, planejamento e eficiência. "Precisamos remodelar isso (gestão), ter no DF uma administração pública mais moderna, mais eficiente e que responda aos desafios da cidade. Nosso governo vai ter gente técnica, competente e com planejamento", avaliou.
Para viabilizar suas propostas sem a necessidade de aumentar impostos, Leandro Grass defendeu a racionalização dos gastos públicos e uma auditoria criteriosa nas renúncias fiscais concedidas pelo DF, estimadas entre R$ 10 bilhões e R$ 13 bilhões anuais. O petista criticou o inchaço da máquina administrativa e a criação de cargos comissionados sem planejamento, propondo condicionar os benefícios fiscais a contrapartidas sociais concretas.
"Nós vamos revisar toda a renúncia fiscal do DF, estabelecer cláusulas e encerrar esse ciclo de que quem é amigo do governador tem benefício, e quem não é, não tem", disse. "Temos que cortar gastos supérfluos, reduzir onde é ineficiente, mas ampliar a capacidade. E não é aumentar imposto", acrescentou. O candidato afirmou ainda que é preciso "estimular a arrecadação com desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda".
Outro ponto da sabatina foi o Fundo Constitucional do Distrito Federal, mecanismo que financia parte significativa das despesas com segurança pública, saúde e educação. Questionado sobre os debates envolvendo a preservação dos repasses federais, Grass defendeu a manutenção do fundo. "O Fundo Constitucional se justifica justamente porque Brasília é a capital e precisa dar esse bom exemplo e também proteger a sede do poder. Termos aqui uma boa segurança pública, também uma boa educação, uma boa saúde pública que são justamente as áreas que o Fundo garante", afirmou.
O candidato direcionou críticas à administração de Ibaneis Rocha e Celina Leão. Na avaliação de Grass, o aumento da capacidade fiscal do governo federal deveria ter se refletido em uma situação mais confortável para as contas do DF. "Olha só a contradição, aumentou o Fundo Constitucional porque o governo Lula conseguiu aumentar a capacidade fiscal e melhorar a economia, mas aqui no DF, Celina e Ibaneis estão entregando o governo com deficit."
Mais transparência
A situação do Banco de Brasília (BRB) foi um dos temas mais contundentes da entrevista. Grass afirmou que qualquer discussão sobre o futuro da instituição precisa começar pela divulgação clara das informações financeiras e pela realização de uma auditoria. "O primeiro passo para recuperar o BRB é transparência radical absoluta, integridade e credibilidade. Aí nós temos que olhar quais são as possibilidades", enfatizou.
Para Grass, a transparência é necessária não apenas para esclarecer a situação financeira da instituição, mas também para manter a capacidade do BRB de financiar atividades econômicas no DF. "Esse dinheiro era do banco da cidade, era do povo do Distrito Federal", ressaltou. "Vamos assumir o governo e vamos construir uma solução para o BRB com transparência, com diálogo e com compromisso para que o banco possa cumprir o seu papel, que é desenvolver a economia", completou.
Ampliação de alianças
No campo político, Grass falou sobre as articulações para a eleição e deixou aberta a possibilidade de ampliação da aliança que sustenta sua candidatura. O petista destacou especialmente o interesse na participação do PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e que, no DF, tem Ricardo Cappelli como candidato.
Grass explicou a escolha para avice. Segundo ele, a tentativa inicial era reservar a posição para o PSB, mas as negociações não avançaram. "Hoje, temos uma candidata à vice-governadora, que é a Dora Gomes. Está aqui conosco, uma liderança da cidade, tem feito um trabalho importante na luta pela igualdade racial e tem um ótimo diálogo com o setor empresarial."
Ao analisar a conjuntura partidária no DF e o desgaste enfrentado por legendas tradicionais, Leandro Grass afirmou que o PT sofre um impacto direto das disputas ideológicas por manter um posicionamento claro no cenário político. "O PT, como é o maior partido da América Latina e do Brasil, acaba sendo afetado por isso. Porque tem lugar, posição e projeto."
Valorizar o professor
Professor de formação, Grass colocou a educação entre os principais eixos de sua eventual gestão. Ao comentar os resultados do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), afirmou que a recuperação da qualidade do ensino passa, antes de tudo, pela valorização de quem trabalha nas escolas. Para ele, professores e demais profissionais da educação precisam estar no centro da política pública. Grass também criticou o que considera baixo nível de investimentos da atual gestão na construção e ampliação da rede pública.
"Precisamos primeiro valorizar os profissionais da educação. Cuidar do professor, de todos aqueles que trabalham na escola, do secretário, do orientador, também da merendeira, do vigilante, porque a escola é feita de gente. Se você não tiver o profissional valorizado, você não consegue avançar", analisou. "Vamos ampliar a rede de escolas do DF e que escolas? Escolas em tempo integral, não só no tempo, mas também na integralidade da formação. Escola com arte, ciência, tecnologia e profissionalização", concluiu.
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