
O candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) ao governo do Distrito Federal, Robson Raymundo, professor da rede pública do DF há 26 anos, participou da sabatina do Correio e defendeu o que chamou de "governo socialista dos trabalhadores", com secretários eleitos pelas categorias profissionais e sem salário de governador para ele próprio.
Leia a cobertura completa da sabatina
- Celina Leão: "Resolver problemas com responsabilidade"
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Samara Mineiro (UP): educação é uma das prioridades
- Leandro Grass (PT): "Desataremos o nó do Centrad"
- Ricardo Cappelli (PSB): "Choque de ordem na gestão"
- Elisson Ferreira (Agir): governança com transparência
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
Segundo o candidato, a prioridade de uma eventual gestão será a saúde. Ele propõe extinguir o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges), que classificou como ineficiente e envolvido em problemas de corrupção, substituindo-o por conselhos populares com trabalhadores e usuários controlando o sistema desde as UBS até os hospitais.
Ele também avaliou a questão da segurança pública. "A criminalidade é uma consequência das desigualdades sociais e econômicas que o próprio sistema capitalista produz. Nós temos que construir uma saída socialista para esta questão. Isso envolve mudar a situação do comando das forças policiais", afirmou. "Polícia não pode ser tropa de bater e dar tiro de governadores, e, infelizmente, é isso que acontece, desprezando a opinião dos próprios trabalhadores que se veem como trabalhadores da segurança pública, querem fazer segurança pública mas não são ouvidos nem respeitados", acrescentou.
Robson Raymundo disse ser favorável ao que chamou de "armamento coletivo" da população, vinculado a conselhos populares e cursos preventivos, mas com um modelo específico. Para ele, deve existir uma força de segurança pública preventiva. Haveria cursos abertos para qualquer pessoa que queira colaborar com a segurança coletiva. Para o candidato, isso evitaria que a responsabilidade de segurança e prevenção da violência ficasse concentrada em um único grupo.
O fim da Polícia Militar como instituição e a criação de uma guarda civil de caráter preventivo a partir da PM e da Polícia Civil foi outra proposta apresentada. Com relação ao feminicídio, o candidato atribuiu o aumento de casos a uma combinação de crise econômica e propaganda retrógrada que busca resgatar um "passado idílico" em que as mulheres estariam sob controle. "As mulheres não são um problema e não precisam ser controladas", declarou.
Ele propôs casas-abrigo mais estruturadas e treinamento em defesa pessoal para mulheres. Quanto à população em situação de rua, disse que a repressão não resolve o problema e sustentou como uma das soluções a ampliação de centros de acolhimento com atendimento médico e social.
Na área fiscal, o candidato afirmou que o PSTU é contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e quer sua revogação, propondo em seu lugar um conselho gestor do orçamento formado por representantes eleitos de sindicatos e movimentos sociais. Ele também prometeu extinguir cargos comissionados e fazer uma auditoria popular da dívida do Governo do Distrito Federal e do Banco de Brasília (BRB), argumentando que a cobrança de devedores liberaria recursos para a população.
Contrário às privatizações, o candidato é a favor da reestatização da CEB e da Rodoviária do Plano Piloto, resumindo sua posição: "privatiza que piora". Para o transporte público, a ideia é a estatização total do sistema e tarifa zero, citando municípios do Entorno do DF que adotam o modelo e afirmando que 2% do orçamento seriam suficientes para bancar a medida. Questionado sobre a segurança jurídica de contratos já firmados, disse que o processo seria conduzido de acordo com o ritmo da "mobilização da classe trabalhadora".
Na educação, Raymundo criticou o Ideb como um índice "viciado e incompleto" por se basear apenas em provas, sugerindo um novo indicador construído com trabalhadores, estudantes e pais, que leve em conta estrutura física, áreas verdes e alimentação nas escolas. Ele propôs também a ampliação do número de escolas em tempo integral.
Na cultura, o candidato sugeriu a criação de um conselho popular de artistas para administrar as verbas do setor. Ele afirmou que a categoria "tem razão de estar raivosa" com o governo atual, citando atrasos em pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura e ameaças ao Festival de Cinema de Brasília, que relacionou a problemas mais amplos envolvendo o Banco Master e o BRB. Defendeu também a construção conjunta, com artistas e moradores, de critérios para a chamada "lei do silêncio", que regula a vida noturna da cidade.
Questionado sobre por que o PSTU não se aliou a outros partidos de esquerda na eleição, Raymundo respondeu que nenhuma outra legenda tem as mesmas propostas e que o partido aposta na organização da classe trabalhadora pela base, e não em "salvadores da pátria". Sobre eventuais greves em seu governo, disse que negociaria diretamente e sem repressão, mas considera pouco provável esse cenário, caso os trabalhadores estejam, segundo ele, no controle do próprio Estado.
*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso
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