
O uso ilícito de tecnologias de inteligência artificial tem mobilizado as forças de segurança do Distrito Federal. Entre janeiro e julho de 2026, a Polícia Civil do DF registrou 139 ocorrências criminais envolvendo a manipulação de imagens, vídeos ou videochamadas por meio de deepfake no DF. Nesta terça-feira (18/8), a corporação realizou uma operação para desarticular um esquema nacional que usava a imagem forjada de artistas para vender medicamentos.
A maior parte dos registros está concentrada em golpes e fraudes financeiras. O crime de estelionato consumado soma 59 ocorrências, acompanhado por 23 tentativas de estelionato. Além disso, a categoria de crimes diversos contabiliza 94 registros, englobando práticas como falsificação de documentos, falsa identidade, crimes pela internet e invasão de dispositivo informático.
O levantamento contabiliza também o uso de manipulação de imagem e vídeo em casos de pornografia (9), ameaça (7), crimes contra idosos (7) e tentativas de crimes contra essa mesma população (2), ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha (5) e de violência psicológica contra a mulher (2). Completam o rol dos registros os casos de extorsão (4), furtos diversos (3), injúria (2) e crime de perseguição (stalking, 1).
Imagem de artistas
Denominada Operação Ilusão Digital, a ação da PCDF nesta terça investiga a utilização não autorizada de rostos e vozes manipulados dos cantores Almir Sater e Fagner, e do jornalista Alexandre Garcia, para simular depoimentos em que recomendavam o suplemento "Erec Power". As vítimas eram induzidas a comprar o produto na internet, acreditando na indicação das personalidades.
Em uma rápida pesquisa na internet, é possível encontrar o produto sendo comercializado em diversos sites. Segundo os anúncios, trata-se de um "suplemento natural em gotas desenvolvido especialmente para aumentar a energia sexual masculina, melhorar o desempenho e restaurar a autoconfiança com resultados rápidos e eficazes". Contudo, não há registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A falta de regulamentação liga o alerta das autoridades para o risco à saúde dos consumidores. Ao Correio, o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme, destacou que os insumos apreendidos ainda passam por análise e reforçou os perigos da comercialização clandestina.
"Uma coisa que chama atenção é que o investigado comercializava esses produtos sem autorização legal, sem saber a natureza e os efeitos, se trazem ou não malefícios para a saúde, o que traz um risco sério à saúde pública. A gente alerta a população para não comprar remédios sem conhecer devidamente as propriedades e sem a devida autorização de venda", destaca o delegado.
Na ação cumprida em Guarulhos (SP), os policiais localizaram um dos suspeitos, que confessou a fabricação dos materiais e a comercialização clandestina. Os envolvidos podem responder por estelionato qualificado, falsidade ideológica, associação criminosa e venda ilegal de medicamentos.
Como identificar um deepfake em vídeos:
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Olhos e piscadas: observe se o ato de piscar é frequente, raro ou mecânico, e se o olhar acompanha a direção do movimento e da fala.
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Sincronia labial e dentes: verifique atrasos entre a fala e o movimento da boca, além de dentes borrados ou excessivamente alinhados.
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Cabelo e contornos: atente-se a fios rígidos, falta de fluidez nos movimentos e distorções ou borrões nas bordas do rosto, pescoço e ombros.
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Expressões faciais: identifique a ausência de microexpressões e reações emocionais desconectadas do tom da conversa.
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Inconsistências gerais: fique atento a áudios robóticos com ruídos de fundo e variações na nitidez da imagem no mesmo vídeo.

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