
A 3ª Mostra Etnomídia Indígena desembarca em Brasília a partir desta quinta-feira (20/8), na Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (CAL/UnB). Um bate-papo entre artistas indígenas abre o evento às 19h.
Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, a mostra adota o formato de feira-festival e consolida-se como um espaço vital para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos povos, funcionando como uma plataforma onde a produção intelectual e artística indígena assume o centro do debate. Exemplo disso foi a passagem por Salvador, onde os produtos colocados à disposição para o público, como livros, impressos e moda, tiveram uma grande receptividade, confirmando a importância das produções indígenas enquanto geração de renda, e do formato do evento, baseado nas economias solidária e criativa.
Contemplada pela Seleção Petrobras Cultural, por meio da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura), a mostra é produzida pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura.
Artistas
Entre os nomes que compõem a exposição está o artista plástico Isaías Miliano, das etnias Macuxi e Patamona. Com cerca de 35 anos de atuação continuada no campo das artes, do ensino e da curadoria, o criador constrói sua poética na convergência entre elementos orgânicos tradicionais e suportes contemporâneos, transformando pinturas, esculturas e tecidos de algodão em vetores de memória e resistência política.
Além do trabalho de Isaias Miliano, a programação apresenta obras marcantes como o painel "Jegua Marangatu" (Grafismo Sagrado), criação coletiva dos artistas Guarani Miguela Moura e Edson Benites (Jepa Filho), concebida a convite da coordenadora-geral Naine Terena e do curador Gustavo Caboco. A mostra reúne também contribuições do Coletivo REMBYAPÓ (ES) e do Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky (MT).
O conceito expográfico — desenvolvido por Libério Uiagumeareu (do povo Boe Bororo), Naine Terena e Gustavo Caboco — adapta a planta do espaço para espelhar a organização social e geográfica de uma aldeia Boe Bororo, criando o espaço "Pa Muga" como uma tradução física da cosmologia indígena.
Durante o evento, a Livraria Maracá também disponibilizará títulos literários e materiais gráficos de diversos autores e artistas originários de todo o país.
Programação
20 de agosto de 2026
Bate-papo de abertura:
Anapuaka Tupinambá (Rádio Yandê)
Miguela Moura (artista visual)
Mediação: Gustavo Caboco
21 de agosto de 2026
Oficina 1: Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas
Horário: 14h às 17h
Facilitador: Gilmar Terena (ASCURI)
25 de agosto de 2026
Oficina 2:
Horário: 14h às 16h
Mercado para Obras Literárias e Artes Indígenas
Facilitadora: Denízia Fulkaxó: escritora
Oficina 3: Precificação de Obras Indígenas
Horário: 16h20 às 18h
Facilitadora: Cinara Barbosa (Professora do Instituto de Artes da UnB e curadora)

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