O candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Novo, Kiko Caputo, afirmou nesta sexta-feira (7) que pretende promover um "choque de honestidade" na administração pública caso seja eleito. Durante o evento "O Distrito Federal que Queremos", promovido pela Amcham Brasil, o advogado defendeu uma reforma administrativa, criticou o tamanho da estrutura do GDF e afirmou que o atual modelo de gestão foi capturado por interesses políticos, deixando de priorizar o planejamento de longo prazo.
Ao apresentar sua trajetória pessoal, Caputo lembrou que chegou a Brasília ainda criança, acompanhando a família, e afirmou que a capital foi responsável pelas oportunidades que recebeu ao longo da vida. Segundo ele, a qualidade dos serviços públicos, especialmente nas áreas de educação e saúde, diminuiu nas últimas décadas, resultado de sucessivos governos que, em sua avaliação, deixaram de planejar o futuro do Distrito Federal.
"Eu nunca fui político. Essa é a primeira eleição político-partidária que eu participo. Eu poderia estar muito bem na advocacia, mas eu não aguentava mais. Eu queria sair da indignação para a ação. Se a velha política tivesse resolvendo os nossos problemas reais, eu não precisaria estar aqui", declarou.
O candidato afirmou que seu plano de governo reúne 344 propostas elaboradas após ouvir especialistas e representantes de diversos setores da sociedade. Segundo ele, o documento deve servir como um planejamento permanente para o Distrito Federal, e não apenas para um mandato de quatro anos.
"Isso aqui é um plano de Estado, isso aqui é uma visão de futuro. Nós estamos apontando caminhos para o Distrito Federal depois de ouvir muita gente. Os governos fazem planos pensando na próxima eleição. Nós queremos fazer como qualquer empresa faz: um planejamento estratégico que seja constantemente atualizado, mas que saiba exatamente onde quer chegar", afirmou.
Caputo também usou como referência a gestão do governador Romeu Zema, em Minas Gerais, para defender uma eficiência da estrutura administrativa do GDF. Segundo ele, o Distrito Federal possui número excessivo de secretarias, muitas delas sem orçamento próprio e criadas apenas para atender interesses políticos.
"O Zema administrou Minas Gerais com muito menos secretarias do que nós temos aqui. O Distrito Federal tem 33 secretarias. Isso revela por que o governo está totalmente atravancado. Aquilo virou simplesmente um cabide de empregos. Antes do choque de gestão, nós vamos precisar dar um choque de honestidade", disse.
Durante a apresentação, o candidato também criticou a falta de transparência em temas envolvendo o governo distrital, citando como exemplo as discussões relacionadas ao BRB. Para ele, é necessário recuperar a confiança da população por meio da publicidade dos atos administrativos.
"Quando começamos a colocar uma lupa sobre os assuntos do Distrito Federal, o ponto comum em todos eles era que tinha malfeito. Nós precisamos restabelecer a transparência e a probidade na administração pública. Como é que todo mundo se sente tão à vontade para fazer malfeito?", questionou.
Caputo ainda afirmou que pretende fortalecer mecanismos de coordenação entre os órgãos do governo para evitar que cada secretaria atue de forma isolada. A proposta prevê a criação de uma estrutura central de governança para alinhar as políticas públicas e garantir maior eficiência administrativa.
Segundo o candidato, áreas como educação e saúde demonstram os efeitos da falta de planejamento. Ao comentar os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ele classificou o desempenho da rede pública do DF como preocupante e afirmou que o cenário compromete a formação da mão de obra local. Na saúde, defendeu mudanças na gestão e a ampliação de parcerias com a iniciativa privada para reduzir filas de cirurgias e exames.
"Não adianta cada secretaria caminhar para um lado. O governo inteiro precisa olhar para o mesmo objetivo. Pode ser um governo compartilhado, mas todos com uma única visão e um único comando, trabalhando em benefício de todo o Distrito Federal", concluiu.
