Ao apresentar suas propostas para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal durante o evento Diálogo "O Distrito Federal que Queremos", promovido pela Amcham Brasil, o candidato ao governo Ricardo Cappelli (PSB) defendeu uma mudança na estratégia de crescimento da capital. Segundo ele, Brasília reúne condições únicas para se transformar em um polo nacional de inovação, tecnologia e economia do conhecimento, mas carece de um projeto capaz de aproveitar esse potencial.
Cappelli afirmou que o Distrito Federal possui vantagens competitivas que poucas regiões brasileiras concentram simultaneamente. "Temos uma renda per capita alta. Temos aqui a elite do funcionalismo público federal. Temos inteligência, temos a maior concentração de mestres, doutores e PhDs do Brasil. Temos capital humano."
Apesar disso, o candidato criticou que o principal motor da economia local continua sendo o mercado imobiliário e a construção civil, repetindo um modelo iniciado na fundação da cidade. "A principal atividade econômica da cidade continua sendo o mercado imobiliário e a construção civil. Nada contra a construção civil, nada contra o mercado imobiliário, mas estamos reproduzindo, décadas depois da inauguração da cidade, o mesmo projeto econômico que fundou Brasília."
Na avaliação de Cappelli, o futuro econômico passa pelo fortalecimento da inovação. "A indústria do século XXI não é mais a indústria das chaminés. Nós estamos falando de inovação, tecnologia e atividades intensivas em capital humano. E a gente tem tudo para fazer isso aqui." Ele chegou a comparar o potencial do Distrito Federal ao principal polo mundial de tecnologia. "O Distrito Federal tem tudo para virar o Vale do Silício brasileiro. Nós temos o mais difícil, que é o capital humano."
Ainda segundo o candidato, o aeroporto internacional, a posição geográfica estratégica e o cenário internacional também podem favorecer a atração de investimentos privados. "Nós temos condições de oferecer segurança, qualidade de vida e vantagens logísticas para atrair empresas para cá. Mas qual é o projeto que existe hoje para fincar um novo modelo de desenvolvimento? Nenhum."
Cappelli criticou mudanças promovidas no planejamento urbano relacionadas ao Biotic, parque tecnológico criado para incentivar empresas de base tecnológica. "A última iniciativa importante foi o Biotic. Mas o que aconteceu? Na revisão do PDOT mudaram o ordenamento do parque tecnológico para permitir unidades residenciais. Mais construção civil, mais mercado imobiliário. Estamos reproduzindo a mesma lógica."
Como exemplo do potencial desperdiçado, o candidato citou uma empresa nascida na Universidade de Brasília. "Tem uma empresa que surgiu no Departamento de Química da UnB, desenvolveu um biofertilizante que aumenta a produtividade da soja em 9% e do café em 18%. Ela cresceu praticamente sem apoio público e hoje exporta para os Estados Unidos, Canadá e Europa."
De acordo com o candidato, iniciativas como essa demonstram a capacidade instalada da capital para gerar inovação, mas faltam políticas públicas consistentes para impulsionar esse ecossistema. "Qual é o projeto que temos para transformar essas iniciativas em um novo vetor de desenvolvimento do Distrito Federal? Não existe."
Ele também afirmou que pesquisadores convivem com incertezas quanto aos recursos destinados ao financiamento da ciência. "Os recursos da FAP nunca têm garantia. A comunidade científica não consegue planejar porque não sabe se haverá orçamento. Assim fica impossível estruturar um projeto de desenvolvimento."
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Ao abordar a formação de mão de obra, Cappelli voltou a defender a ampliação do ensino em tempo integral, relacionando a medida tanto à qualificação profissional quanto ao ambiente de negócios. "Nós estamos entre os últimos lugares do Brasil em ensino integral. Apenas cerca de 7% dos alunos do ensino médio estudam em tempo integral. Isso compromete a formação da mão de obra e também impacta diretamente a economia da cidade."
