O candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) afirmou que, se eleito, não permitirá que a população do DF arque com os prejuízos relacionados ao escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira (11/8), o candidato defendeu a divulgação do balanço do BRB antes de qualquer operação de crédito e apresentou uma série de medidas que pretende adotar para recuperar e reestruturar a instituição.
“No meu governo, a população do Distrito Federal não vai pagar a conta do rombo causado pela roubalheira no BRB”, afirmou. Cappelli defendeu que qualquer decisão sobre o futuro financeiro do banco seja tomada somente após a divulgação das demonstrações financeiras. Segundo ele, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) também passou a exigir o balanço antes de discutir um eventual financiamento ao BRB.
Para o candidato, não seria possível avaliar a necessidade e a segurança de um empréstimo sem conhecer a situação financeira atual da instituição. “Como é que eu vou emprestar um dinheiro para você se eu não sei se você está quebrado ou não, qual o tamanho da sua dívida?”, questionou.
Cappelli afirmou ter sido um dos primeiros políticos a denunciar o caso envolvendo o BRB e o Banco Master. Ele afirmou que as suspeitas precisam ser investigadas e os recursos eventualmente desviados devem ser recuperados. “É preciso salvar o BRB. Mas como é que salva o BRB? A primeira medida é recuperar o que foi desviado. E é preciso punir os responsáveis”, declarou.
O candidato fez críticas à atual gestão do Governo do Distrito Federal e relacionou a condução do BRB à credibilidade da administração. “A primeira coisa, tem que trocar o governo. A eleição está chegando. Quem demite o governo é o povo e eu espero que o povo do Distrito Federal demita esse governo no dia 4 de outubro”, afirmou.
Recuperação
Na avaliação de Cappelli, uma eventual recuperação do banco dependeria de mudanças na administração da instituição. Ele defendeu um “choque de gestão”. “Tem que cortar patrocínios absurdos, tem que cortar patrocínio de campeonato de vela de Dubai, de Fórmula 1. Tem que cortar todos os privilégios absurdos que tem”, disse.
Outra proposta apresentada pelo candidato é uma mudança no foco de atuação do BRB. Cappelli defendeu que o banco volte a concentrar suas atividades no Distrito Federal e retome o papel de instituição voltada ao desenvolvimento econômico local. “O BRB tem que concentrar suas atividades no Distrito Federal e ele tem que ter como foco o financiamento do desenvolvimento da nossa cidade, principalmente olhando para os pequenos, médios e microempreendedores”, afirmou.
Cappelli afirmou que pretende recorrer ao STF caso, em uma eventual gestão, seja firmado um acordo que, na avaliação dele, transfira para a população os custos relacionados ao caso BRB-Master. “Se fizerem qualquer acordo, se tomarem qualquer financiamento que prejudique a população do Distrito Federal, se tomarem financiamento para tirar dinheiro da saúde e da educação para tapar o rombo da roubalheira, no primeiro dia de governo, eu vou ao Supremo Tribunal Federal para desmontar esse acordo”, declarou.
O candidato reconheceu ter respeito pelo ministro Luiz Fux, relator das discussões relacionadas ao caso no STF, mas questionou a possibilidade de um acordo ser tratado como uma decisão definitiva da Corte. “Não é admissível qualquer acordo no Supremo Tribunal Federal que penalize, que empurre para a população da cidade o custo da roubalheira que eles fizeram no BRB”, ressaltou.
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