ELEIÇÕES 2026

Ricardo Cappelli (PSB) defende 'choque de ordem' na gestão

Ricardo Cappelli (PSB) prometeu "zerar filas" na saúde, ampliar metrô para otimizar mobilidade urbana, valorizar professores "com o maior salário do Brasil", recompor efetivo da Polícia Militar e promover regularização fundiária "pelo menor valor legal possível"

Candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Ricardo Cappelli apresentou, ontem, durante sabatina do Correio, propostas para áreas consideradas estratégicas para a próxima gestão, como saúde, educação, segurança pública, economia e mobilidade urbana. Entre as principais promessas, estão zerar a fila de exames e cirurgias, estabelecer o maior salário do país para professores da rede pública, ampliar o metrô e o transporte expresso, e recompor o efetivo da Polícia Militar. "É preciso ter um choque de ordem na gestão do Distrito Federal", defendeu.

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O candidato parabenizou o Correio pela realização da sabatina e destacou o convite feito a todos os candidatos, independentemente da posição nas pesquisas eleitorais. "É uma sabatina muito importante para a gente e para a população, dar oportunidade à população de conhecer todos os candidatos, suas ideias, propostas, o que cada um se propõe nesse processo eleitoral. Essa é a beleza da democracia", declarou.

Na avaliação de Cappelli, a principal preocupação do eleitor durante a campanha não está necessariamente nas disputas ideológicas entre os concorrentes, mas na capacidade de os futuros governantes resolverem problemas que afetam diretamente a população. "O eleitor quer saber se: tem médico na UPA? Tem remédio na farmácia da UBS? O ônibus vai passar no horário? Essas são as questões centrais que a população espera respostas e que vamos apresentar durante o processo eleitoral", destacou.

Prioridades 

Entre as propostas apresentadas como prioridade pelo candidato, Cappelli afirmou que, na saúde, pretende reduzir as filas para exames e cirurgias e ampliar o saneamento básico nas comunidades mais carentes. Segundo o candidato, mais de 30 mil pessoas aguardam cirurgias e mais de 1 milhão esperam consultas e exames. "Eu vou lançar o programa Fila Zero, para zerar a fila da saúde no Distrito Federal", afirmou. Já no saneamento básico, Cappelli citou a comunidade Santa Luzia, na Estrutural, onde, segundo ele, vivem cerca de 20 mil pessoas. "Lá, vi crianças morando e brincando com esgoto a céu aberto", lembrou. 

Para o transporte público, Cappelli apontou o tempo de deslocamento como o principal problema e apresentou o programa "No Máximo Uma Hora", que estabelece como meta limitar a uma hora o trajeto entre casa e trabalho. "A gente não tem distâncias no DF que justifiquem uma pessoa passar duas horas, duas horas e meia para chegar ao trabalho", ponderou.

O candidato do PSB defendeu, para reduzir o tempo das viagens, a ampliação de ônibus expressos, BRTs e faixas exclusivas, além da reorganização das linhas alimentadoras. Ele também defendeu a retomada da expansão do metrô para regiões, como Gama, Santa Maria e Asa Norte, além de, na tentativa de melhorar a remuneração de motoristas de aplicativo, a criação de um aplicativo próprio do DF, administrado pela cooperativas de motoristas, com apoio do governo na divulgação. 

Ricardo Cappelli prometeu valorizar os professores da rede pública "com o maior salário do Brasil". Ele defendeu a realização de novos concursos públicos e criticou o uso excessivo de contratos temporários. "Precisa fazer mais concursos, porque o temporário virou regra e tem que ser complemento da rede", declarou.

Cappelli afirmou que pretende criar uma secretaria especial de regularização fundiária e lançar o programa "A Casa é sua" para ampliar a emissão de escrituras no DF. Segundo ele, mais de 30% dos imóveis da capital não têm escritura. "Eu vou regularizar e dar a escritura para todo mundo pelo menor valor legal possível. É um real? Então vai ser um real", afirmou. Ele defendeu ainda a reformulação de órgãos ligados à política habitacional e disse que a Terracap deve voltar a atuar como instrumento de planejamento urbano. 

Segurança inteligente

Na segurança pública, Cappelli defendeu o uso de planejamento e inteligência para prevenir feminicídios. "A cada 15 dias, está morrendo uma mulher no Distrito Federal, vítima de feminicídio. Com planejamento e inteligência, conseguimos impedir que chegue à letalidade", afirmou.

O candidato defendeu o fortalecimento da inteligência cibernética, a integração com o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a recomposição do efetivo da Polícia Militar. "A população cresceu, e a Polícia Militar, que já chegou a ter 17 mil, 18 mil homens, está com pouco mais de 11 mil homens e mulheres. Precisa voltar a crescer", afirmou. 

A população em situação de rua foi citada entre as prioridades. Embora reconheça que a questão não seja originalmente de segurança pública, Cappelli defendeu uma abordagem multidisciplinar, com profissionais de assistência social, psicologia e saúde mental. "Não adianta dar só comida e banho. Precisamos ter equipe multidisciplinar para entender por que o cidadão está na rua. É problema de saúde mental? É dependência química? É falta de casa? Tem que compreender e atuar para tirar a pessoa da rua", disse.  

O real foco do BRB

Sobre a atual situação do Banco de Brasília (BRB), Ricardo Cappelli afirmou que, se eleito, não permitirá que a população do DF arque com os prejuízos relacionados ao escândalo envolvendo a instituição e o Banco Master. Na avaliação do candidato, uma eventual recuperação do banco dependeria de mudanças no foco de atuação do BRB. "O BRB tem que concentrar suas atividades no Distrito Federal, e ele tem que ter como foco o financiamento do desenvolvimento da nossa cidade, principalmente olhando para os pequenos, médios e microempreendedores", afirmou, finalizando que pretende recorrer ao STF, caso eleito, seja firmado um acordo que transfira para a população os custos relacionados ao caso BRB-Master. 

 

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