O Tribunal de Contas da União (TCU) promoveu, nesta quarta-feira (26/8), o painel "Vidas Interrompidas – A jornada da mulher em busca de proteção do Estado", com o objetivo de refletir sobre a prevenção ao feminicídio e o fortalecimento das políticas públicas de gênero. Convidado para o debate, o pastor, teólogo e comunicador Ed René Kivitz enfatizou a urgência de os homens encararem a própria subjetividade para romper com a cultura de domínio e violência.
"O 'poder que ama' é, na verdade, uma manifestação de masculinidade tóxica, que se disfarça de controle, domínio e opressão sob o pretexto de afeto. Esse modelo destrutivo, que busca a posse absoluta, não condiz com a natureza divina. Deus não é um poder que ama, mas um amor onipotente", reforça o religioso, provocando a plateia sobre a necessidade de autocrítica e diálogo com as famílias.
Como resposta institucional às reflexões do painel, o Ministro Vital do Rêgo, presidente do TCU, ressalta o empenho da corte na promoção da igualdade de gênero. Para enfrentar a sub-representação feminina nos cargos de carreira — em que as mulheres ocupam atualmente 25% das vagas, apesar de representarem 38% do quadro geral —, o TCU anuncia a criação de um curso preparatório exclusivo para mulheres interessadas em ingressar na auditoria do órgão.
O evento conta ainda com uma roda de conversa onde participantes da plateia relataram experiências de engajamento masculino e sensibilização no combate à violência doméstica. Os depoimentos reforçam que o enfrentamento ao feminicídio e a transformação da cultura patriarcal exigem uma atuação conjunta entre a escuta humanizada, o compromisso das instituições e a mudança prática nas relações interpessoais.
No auditório, a maior parte da plateia é composta de homens. "Isso é muito bom. Não adianta falarmos para nossa própria bolha. Muito se fala sobre o feminicídio ser um problema entre as mulheres. Mas, na verdade, é um problema dos homens, os causadores disso", comenta uma servidora, ao elogiar a iniciativa.
