
A investigação sobre o feminicídio de Jussiara Ferreira dos Santos, 42 anos, esfaqueada na QR 504 de Samambaia no último sábado (29/8), ganhou desdobramentos com a confirmação do envolvimento de uma segunda pessoa no ataque. Segundo as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a vítima foi agredida pelo ex-companheiro, João Alberto Mesquita da Silva, 44, com a ajuda de Gisele Moreira Silva, 44, amiga com quem dividia uma kitnet com Jussiara. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no início da tarde desta segunda-feira (31), no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).
De acordo com as apurações, o ataque se deu após a recusa de Jussiara em entregar dinheiro aos suspeitos. O delegado adjunto da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), Fabiano Oliveira, detalhou ao Correio que a primeira agressão partiu da amiga da vítima. "A Gisele fez o primeiro ataque com a faca, acertando Jussiara no ombro. Depois, segurou-a pelas costas para que João desferisse uma facada na lateral do corpo", explicou. Gisele Moreira Silva segue foragida.
O golpe atingiu a região do dorso e provocou uma perfuração no intestino, causando evisceração — ruptura de todas as camadas da parede abdominal, fazendo o órgão ficar exposto. Mesmo desorientada e com as roupas rasgadas, a mulher conseguiu ir da quadra 504 até a 514 em busca de ajuda na casa da irmã e da cunhada, que acionaram o socorro.
Jussiara passou por cirurgia no HRT, mas o quadro clínico evoluiu para o óbito antes mesmo que os investigadores pudessem ouvi-la formalmente. As informações sobre a autoria e a dinâmica do ataque foram colhidas a partir dos relatos que a própria vítima deu aos familiares durante o atendimento médico. O agressor principal, João Alberto, já possuía histórico de violência contra a ex-companheira. "Contra quem ela chegou a registrar, em 2019, uma ameaça e um pedido de medida protetiva", acrescentou o delegado.
Após colher os depoimentos, as equipes da PCDF retornaram ao lote onde o crime ocorreu e localizaram o suspeito, preso em flagrante. A Polícia Civil também representou pela prisão temporária de Gisele, que já foi deferida pela Justiça. Os policiais seguem em diligências para localizar e prender a investigada.
Nas redes sociais, familiares da vítima cobraram justiça. "Minha mãe tinha uma vida, uma história, uma família e pessoas que a amavam. Ela não era apenas mais uma vítima. Era mãe, filha, irmã, amiga e alguém que deixou um vazio impossível de preencher", declarou uma das filhas de Jussiara.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF);
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF);
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615

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