
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apreendeu celulares, cartões bancários e documentos em uma operação contra uma quadrilha especializada em criar contas de aplicativo de transporte com identidade falsa. Quatro pessoas foram presas. A associação criminosa fazia uso de diferentes telefones e dados pertencentes a outras pessoas, assim como informações de veículos e contas bancárias vinculadas direta ou indiretamente aos suspeitos.
Os cadastros fraudulentos podem ter causado um prejuízo expressivo à empresa de transporte envolvida. Com divisão de tarefas, o grupo era responsável pela manutenção dos cadastros irregulares, que poderiam chegar a centenas de contas falsas. De acordo com a PCDF, o modus operandi consistia em inserir pessoas que não preenchiam os pré-requisitos para ter um cadastro próprio no mercado de trabalho dos aplicativos de transporte.
Entre os beneficiados pelo esquema, estavam pessoas que não tinham carteira de habilitação, possuíam antecedentes criminais ou haviam sido bloqueadas da plataforma anteriormente. Os investigados foram presos na manhã da última terça-feira (1º/9), em Sobradinho e em Rio Verde (GO). O método utilizado pela quadrilha era usar dados falsificados ou informações pertencentes a terceiros, ocultando a real identidade do motorista.
De acordo com o delegado Pedro Sardá, a ação criminosa criava um ambiente de insegurança aos usuários, uma vez que, caso ocorresse algum crime durante o trajeto, isso dificultaria não apenas a identificação do motorista, mas também a responsabilização criminal e a rastreabilidade. A inserção de pessoas sem habilitação regular também representava risco à segurança viária.
Segundo a PCDF, o grupo possuía estrutura estável e relevante capacidade operacional, utilizando diversos dispositivos eletrônicos, dados de terceiros, veículos e contas bancárias. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão temporária, resultando na captura de quatro investigados. Três prisões ocorreram em Sobradinho e uma em Rio Verde (GO). Entre os presos está o homem apontado como principal articulador da associação criminosa.
Além dos celulares, documentos e cartões bancários, veículos utilizados pelos investigados e vinculados à dinâmica criminosa foram alvo de medidas judiciais de restrição. Também foram determinadas providências para o bloqueio de ativos e a preservação de valores relacionados às fraudes. O material apreendido será submetido à perícia e análise especializada para identificar outros cadastros fraudulentos, participantes, movimentações financeiras e possíveis vítimas ainda desconhecidas.
O prejuízo financeiro causado à empresa responsável pelo aplicativo ainda está em apuração e poderá aumentar após a análise dos materiais apreendidos. O grupo é investigado pelos crimes de furto qualificado mediante fraude, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. As penas máximas dos crimes, se consideradas de forma autônoma e somadas, podem chegar a 32 anos de reclusão. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, dimensionar o prejuízo causado e localizar outros bens e valores provenientes das práticas criminosas.
A operação foi batizada de “Last Ride”, expressão em inglês que significa “última viagem”, em referência ao encerramento da atuação criminosa do grupo no serviço de transporte por aplicativo. Os quatro investigados permanecem à disposição da Justiça.

Cidades DF
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