
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) atrelou o resultado da nova pesquisa eleitoral à incerteza jurídica que envolve sua candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF). Na terceira rodada do levantamento Correio/Opinião Inteligência Política, realizada entre 29 e 31 de agosto, Arruda aparece na segunda colocação, com 23,3% das intenções de voto na consulta estimulada — ante 24% na rodada divulgada em 5 de agosto.
Ao avaliar o cenário divulgado nesta quinta-feira (3/9), data em que o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) julga o pedido de registro da sua candidatura, o candidato reconheceu o impacto do desgaste. "Eu sou engenheiro, não brigo com números. Acho que as pesquisas espelham mesmo a realidade e, tendo em vista essa instabilidade jurídica, de quererem me tirar no tapetão, é claro que isso diminui a minha intenção de voto", afirmou Arruda.
Apesar da oscilação, ele manteve a convicção na legalidade do seu registro: "Tenho absoluta consciência de que registrei minha candidatura de acordo com a lei e, se o pedido de impugnação for negado, não tenho dúvidas de que estarei competitivo com os atuais donos do poder".
O julgamento no TRE-DF definirá se o ex-governador, afastado de disputas nas urnas há 16 anos, estará apto para pleitear o comando do Palácio do Buriti em 4 de outubro. No entorno do candidato, o clima é de apreensão. "A expectativa é a pior possível. Já era", comentou o postulante ao Correio.
Impasse judicial
Vitorioso no primeiro turno da eleição ao GDF em 2006, Arruda teve a trajetória política afetada pelos desdobramentos da Operação Caixa de Pandora, perdendo o mandato em 2010 por infidelidade partidária e ficando impedido de disputar pleitos seguintes. Em 2014, teve o registro indeferido por improbidade administrativa após condenação no TJDFT, sendo substituído na chapa por Jofran Frejat, em eleição vencida por Rodrigo Rollemberg.
A tentativa de retorno às urnas apoia-se nas alterações trazidas pela Lei Complementar nº 219/2025, que unificou o teto dos prazos de inelegibilidade em no máximo 12 anos para processos interligados. Como seu primeiro revés judicial ocorreu em 2014, a defesa argumenta que o impedimento já prescreveu, visto que as demais seis condenações derivam dos mesmos fatos investigados na Caixa de Pandora. O Ministério Público Eleitoral, por outro lado, contesta a tese de conexão entre os processos e entende que as sanções acumulam-se, podendo estender a restrição até 2030 ou 2034.
Se o colegiado do TRE-DF rejeitar o pedido de registro, a equipe jurídica do postulante recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, eventualmente, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A interposição de recurso garante efeito suspensivo, permitindo a manutenção das atividades de campanha até uma decisão final da última instância.
Líder e concorrentes
A pesquisa registra que a liderança da corrida eleitoral segue com a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, que contabilizou 32% da preferência na modalidade estimulada (tinha 32,4% no estudo anterior). Ao avaliar os dados, Celina associou as investidas dos adversários à abertura da temporada de debates.
“Os debates começaram e, com eles, os ataques a mim e ao meu governo. Mas a população do DF sabe reconhecer a verdade”, declarou a chefe do Executivo, acrescentando agradecimento “com gratidão e humildade” pelo reconhecimento do eleitorado.
Entre os demais 11 postulantes ao GDF registrados na Justiça Eleitoral, o ex-presidente do Iphan Leandro Grass (PT) aparece em terceiro lugar, marcando trajetória ascendente ao subir de 9,8% para 12,5%. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) figura em quarto lugar com 3,5%, seguida pelo advogado Kiko Caputo (Novo), que pontuou 2,3%, e por Ricardo Cappelli (PSB), com 1,7%. No levantamento anterior, Cappelli acumulava 4,3%, Paula mantinha os mesmos 3,5% e Kiko registrava 0,8%.
Na sequência surgem a professora Samara Mineiro (UP), com 0,6% (ante 0,9%), e o professor Robson (PSTU), com 0,4% (antes 0,5%). Estreando no levantamento, Rico Pinheiro (PRTB) soma 0,3%, enquanto Expedito Mendonça (PCO) e Elisson (Agir) aparecem com 0,1% cada. Brancos e nulos somam 10,7%, e o grupo de indecisos reúne 12,6% dos entrevistados.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-04936/2026, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento ouviu presencialmente 1.121 pessoas em 31 regiões administrativas da capital.
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