Feminicídio

Desejo de recomeçar: filha de mulher assassinada no DF relata luta da mãe contra as drogas

Aos prantos, Luanny relembra a luta da mãe contra o vício e diz que ela sonhava em mudar de vida

Janaina Rodrigues, filha da mulher assassinada em Sobradinho II -  (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
Janaina Rodrigues, filha da mulher assassinada em Sobradinho II - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Em 7 de agosto, Luanny Stheffany Rodrigues, 23 anos, reuniu-se com a irmã caçula, de 20, na casa da mãe, Janaína Rodrigues da Silva, 45, para comemorar o aniversário da mãe. As três comeram pizza. Não moravam juntas e não imaginavam que aquela seria a última vez que estariam reunidas. Trinta e cinco dias depois, Janaína foi encontrada morta em uma área de chácara abandonada, em Sobradinho 2. Estava nua, amarrada e com parte do corpo queimada. O crime ocorreu na madrugada desta quinta-feira (10/9).

Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso pelo crime, investigado inicialmente como feminicídio. Policiais civis da 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho 2) estão desde a madrugada nas ruas em busca de elementos que levem à autoria. Há reforço, inclusive, de um helicóptero da Polícia Civil.

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Janaína morava com a mãe em uma casa humilde de Sobradinho 2. Luanny residia com a avó paterna, em uma quadra perto, e a outra irmã em Planaltina. Em lágrimas, Luanny disse não acreditar no crime cometido contra a mãe e afirmou que ela não merecia esse fim. “Ela não fazia mal a ninguém, não tinha maldade no coração. Sempre foi muito corajosa e não deixava ninguém pisar nela, mas jamais prejudicou alguém”, contou ao Correio.

Há mais de 20 anos, Janaína enfrentava problemas com o álcool e drogas. Na maior parte do dia, ficava na rua. “Eu sempre tive muito medo dela morrer. Ela queria mudar de vida, queria se internar, mas não tinha força”, lamentou, aos prantos.

Luanny soube da notícia após ver uma publicação nas redes sociais, mas não identificou que fosse a mãe. Depois, ela recebeu mensagens de pesar enviadas por amigas. Sem entender, foi à 35ª DP, repassou informações sobre as características e os dados pessoais da mãe que coincidiram com o já colhido pelos investigadores. “Estava saindo da DP, quando me ligaram novamente e confirmaram que seria lá. E aí eu não tive mais forças para falar mais nada.”

Investigação

O delegado Ricardo Viana, chefe da 35ª DP, afirma que, como protocolo, o caso é tratado como feminicídio. Segundo ele, testemunhas foram ouvidas para auxiliar na elucidação do caso. Entre elas, um morador próximo que presenciou o autor no momento em que ele colocava um colchão sobre a vítima para queimá-la.

O suspeito teria tentado avançar sobre a testemunha com um facão. Depois, fugiu. Janaína trabalhava como cabo eleitoral para o candidato Raad Massouh e deixa a mãe e duas filhas.

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postado em 10/09/2026 18:10
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