
Candidata a deputada federal pelo PSD, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia defendeu, no Podcast do Correio, conduzido pelos jornalistas Mariana Niederauer e Roberto Fonseca, a construção e reformulação de políticas públicas voltadas à população em situação de maior vulnerabilidade.
Como está sendo essa retomada para a política e como a senhora pretende atrair o eleitor mais jovem?
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Muito pelo compromisso e pelo amor e gratidão a Brasília. É um grande esforço, porque você está acostumada a um tipo de comunicação e, de repente, você vê essa comunicação ocorrer na hora. Você tem que fazer um esforço. Pelo meu caminho na política, é um esforço grande. É muito interesse você acompanhar o desenvolvimento, a forma de comunicação que o mundo está construindo.
Quais pautas pretende trazer ao seu mandato?
Não me desliguei dos problemas de Brasília. Sempre muito ligada aos problemas da população, me cobrei a responsabilidade de continuar trabalhando pela cidade. E vendo muitas coisas que acho que poderíamos ajudar Brasília. Estou aposentada, mas tenho saúde, conhecimento e experiência, e vou ajudar. Fui convidada pelo candidato (ao GDF) Arruda a ajudar no projeto de desenvolvimento social da cidade. Depois, passou para a história de ser candidata. E, pelo fato de ter participado como constituinte, tem coisas que precisam ser atualizadas com a realidade que temos no país.
Que atualizações são essas?
Por exemplo, da LOAS, da Lei Orgânica de Assistência Social, da qual nós participamos. Eu acho que ela tem que ter um novo direcionamento. Porque, quando nós construímos os benefícios sociais, foi pensando na extrema pobreza, foi pensando, por exemplo, nas Santas Casas de Misericórdia, foi pensando naquela vovó que cria os netos e sem condição de sobrevivência. Você tem que atualizar, por exemplo, um sistema de maior fiscalização dos benefícios. Porque tem muita gente que não precisa, e muita gente que precisa e não tem.
Seria uma otimização dos recursos?
Seria uma porta de saída. Você jogou muito no assistencialismo, nos benefícios e não preocupou, por exemplo, na capacitação profissional, em alternativas de produção, de geração de bem-estar. A gente sente que as pessoas estão se acomodando com o benefício. A dificuldade que você tem hoje é das pessoas terem empregados. Eu ouço muito. Temos que atualizar de acordo com a necessidade e investir na capacitação profissional, na oportunidade de empréstimos. Temos o Sebrae, que é um exemplo. Você não tira o benefício social das pessoas que precisam, mas trabalha com essas pessoas para que elas vivam autônomas, sem a dependência do Estado.
E que portas de saída seriam essas?
Você tem uma série de opções e passa tudo pela realidade, porque você também tem pessoas que não estudaram, pessoas que têm uma vida completamente diferente na questão de sobrevivência. Mas de investir, de todos os programas sociais terem uma porta de saída, de que elas sejam profissionalizadas e que tenham ascensão profissional e a vida mais autônoma, sem você ficar em uma fila.
O problema é na falha na fiscalização? A senhora acredita que a população também precisa ajudar a fiscalizar ou não?
Eu acho. Tem que criar uma forma de fiscalização, na medida que você cria a estratégia de aplicar os benefícios. Eu acho que isso aí é um movimento muito interessante. É um país inteiro com uma diferença muito grande socialmente. Você tem de extrema pobreza à extrema riqueza. E você, mesmo dentro da pobreza, tem uma estratificação social, porque você tem pessoas que têm saúde, outras pessoas não. Tem que mapear a situação social das pessoas.
Qual esfera cuidaria de cada pedaço? Por exemplo, o governo federal poderia oferecer os benefícios e o local ficaria com essa aplicação e ajudar na fiscalização?
Nada você faz sozinho. Por exemplo, a Secretaria de Saúde é uma instituição que pode nos ajudar muito, porque eles sabem quem é incapaz e quem necessita disso. É um trabalho integrado. Você não consegue fazer um bom programa social, se não for via educação, saúde, toda a questão urbana.
Cidades DF
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