
Uma tarde que deveria ser de lazer terminou como uma cena de terror para um grupo que estava em uma lancha no Lago Paranoá, na tarde de domingo. “Foi um filme de terror mesmo, foi horrível. A gente sofreu muito, senti muita dor, o nosso cabelo queimou”, relatou a cabeleireira Kenia Alves Pereira, 38 anos, que se recupera das queimaduras. Segundo a Marinha do Brasil, a embarcação transportava 15 pessoas e era conduzida por um profissional contratado.
A vítima contou que estava com amigas na embarcação quando percebeu problemas no momento da saída. Segundo ela, o barco ainda não estava abastecido quando o grupo entrou na lancha. Ela afirmou que, ao ligar o motor, houve um desligamento de sistemas da embarcação e, em seguida, uma nova tentativa de acionamento. “Eles ignoraram e tentaram ligar de novo, forçando o motor, e foi aí que deu a explosão”, disse.
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Kenia relatou que sofreu queimaduras apenas na perna, enquanto outras amigas tiveram ferimentos mais extensos. Uma delas, segundo o relato, teve queimaduras em cerca de 70% do corpo. “Graças a Deus ninguém morreu e está todo mundo bem. As pessoas que estão mais queimadas já estão todas internadas, recebendo atendimento”, afirmou a cabeleireira informando que um dos donos do barco estava entre os tripulantes.
O corretor imobiliário Leonardo Nunes, 46 anos, estava em um bar próximo à marina quando ouviu o barulho. Ele conta que, inicialmente, pensou que algum botijão havia explodido. Em seguida, viu pessoas pulando da embarcação e as chamas tomando conta do barco. “De repente dá um estrondo, e quando eu olho para o lado, vi um pessoal pulando do barco”, relatou. “Tinha uma moça que estava com o corpo todo queimado. Foi uma das cenas mais agoniantes que vi na vida”, contou.
Atendimento
A Secretaria de Saúde informou que 13 pacientes envolvidos no acidente foram atendidos no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Entre eles, quatro permaneciam na unidade ontem, enquanto outros dois foram encaminhados para hospitais particulares. A pasta não divulgou informações individualizadas sobre o estado de saúde das vítimas, em respeito ao sigilo médico e de prontuário.
O 1º tenente Douglas Vieira, do Corpo de Bombeiros (CBMDF), informou que o combate foi realizado principalmente por terra, porque a proximidade da embarcação com a margem permitia o uso de equipamentos com maior potência. “Foram frentes diferentes para atender às vítimas que estavam queimadas, fazer o combate das chamas e a preservação do local”, disse.
Investigação
A Marinha instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as circunstâncias e as possíveis causas. Segundo a corporação, qualquer informação sobre a dinâmica do acidente depende da investigação. Atualmente, há 52.738 embarcações inscritas na CFB. Em 2026, foram registrados cinco acidentes náuticos no DF. Além disso, entre janeiro e agosto, 2.603 embarcações foram fiscalizadas, resultando em 281 autos de infração e 122 apreensões.
O advogado da JR Marina Rander Ramos afirmou que a embarcação envolvida no incêndio era particular e estava apenas guardada no local. Segundo ele, a marina não era responsável pela embarcação nem pela condução do passeio. “É uma embarcação particular que, por acaso, fica guardada aqui tão somente. E o serviço que presta aqui é só de colocar na água ou retirar da água com o auxílio do trator”, explicou.
A Polícia Civil (PCDF) fez vistoria na embarcação, ontem e, a princípio, disse que a lancha estava regular. Os investigadores colherão, ao longo da semana, novos depoimentos para elucidar o caso. Aguardam também o resultado da perícia que determinará a causa da explosão.
Ainda de acordo com a apuração, a lancha era compartilhada por alguns proprietários de Goiânia. Em nota, a Very Náutica, empresa responsável pela lancha, manifestou solidariedade às vítimas do acidente. Nas redes sociais publicou: “A Very Náutica manifesta sua solidariedade a todas as vítimas do acidente, bem como aos seus familiares e amigos neste momento tão delicado. Estamos na oração pela recuperação de todos, na esperança de que fiquem bem e possam superar este momento o mais breve possível. Desejamos força, fé e uma pronta recuperação a todos os envolvidos.”
Cidades DF
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