
Aos 35 anos, o servidor público federal Raphael Sebba (PSB) disputa uma cadeira na Câmara Legislativa do DF e pretende levar à Casa, caso eleito, pautas voltadas ao meio ambiente e à sustentabilidade. Em entrevista às jornalistas Mila Ferreira e Ana Carolina Alves, no Podcast do Correio, ontem, Sebba falou sobre os problemas ambientais na capital, a desigualdade climática e possíveis soluções.
O que te levou a concorrer ao cargo de distrital?
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Tenho uma longa caminhada debatendo como a cidade pode funcionar de maneira justa e sustentável. Temos feito uma conexão profunda entre a ocupação urbana e o debate ambiental. As pessoas pensam nesses espaços como separados, mas temos uma cidade organizada no coração do Cerrado que enfrenta problemas ambientais profundos. Quando uma pessoa pega um ônibus por duas horas, nessa onda de calor, lotado e sem ar-condicionado, ela está sofrendo um processo ambiental; o mesmo vale para uma escola que não tem boa ventilação. Com essa reflexão sobre como a cidade se relaciona com a questão ambiental, venho atuando nos últimos anos. Fui fundador da Feira Ponta Norte, que oferece comida orgânica e saudável às pessoas. Minha candidatura não surge agora, mas é fruto de uma vida inteira, seja na academia pesquisando, profissionalmente ou como ativista.
Quais são as suas propostas para Brasília?
Estamos num período de instabilidade climática. Sabíamos e anunciamos há mais de um ano que o El Niño geraria eventos extremos. Na nossa região, os mais esperados são ondas de chuva intensa e seca prolongada, cuja principal característica é a volatilidade do clima. Precisamos de uma política preventiva focada na adaptação urbana. As ruas precisam estar bem preparadas. Há vias inteiras no DF que carecem de uma drenagem eficiente. Existem várias tecnologias que podemos utilizar e não apenas a drenagem tradicional, com grandes dutos que fazem a água escoar rapidamente para fora da região, mas também a infraestrutura verde. Contamos com técnicas como os jardins de chuva, que utilizam vegetação específica para reter a água e impedir que ela escoe de forma desordenada pelas ruas. Há soluções viáveis tanto para o espaço público quanto para as residências.
De que forma você pode ajudar na CLDF a combater a desigualdade em um cenário de mudanças climáticas?
A cidade não é igual para todos, por mais que a chuva caia e o sol bata em toda a extensão do Distrito Federal. Os efeitos do tempo e do clima são diferentes dependendo da região, e uma das formas mais claras de perceber isso é a arborização. A árvore não deveria ser um indicador de raça ou de renda. Dependendo de onde você mora, da sua renda e da sua cor, você tem menor probabilidade de ter a sombra de uma árvore na porta de casa. Nas áreas nobres, quem arca com esse custo não é o morador diretamente, mas o governo com recursos de impostos pagos por toda a população. E, ironicamente, quem faz essa manutenção costuma ser alguém que não tem acesso a essa mesma infraestrutura na própria rua. Essa é uma oportunidade para repensarmos a cidade. Onde faltam árvores, também faltam boca de lobo, boa arquitetura e uma série de infraestruturas e direitos consolidados nas regiões nobres. E que bom que eles existem lá. O problema é não haver essa mesma política de cuidado para todo o Distrito Federal. E dá para ter.
Cidades DF
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