
O senador e candidato a deputado federal Izalci Lucas (PL) participou ontem do Podcast do Correio. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Ronayre Nunes o senador fez duras críticas à atual gestão do governo local, apontando o caos na saúde pública e denúncias de irregularidades financeiras no BRB.
Izalci também analisou a conjuntura nacional, defendeu reformas no Poder Judiciário, criticou a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçou a importância da educação profissionalizante como principal instrumento de transformação social.
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Como está a sua caminhada nas ruas e o que as pessoas têm pedido para o senhor?
Eu tenho um trabalho de longo tempo no DF, como distrital, federal, senador e secretário duas vezes. Comecei na educação com um projeto que virou o Prouni no governo Lula. Depois, fiz o DF Digital, maior programa de inclusão digital do Brasil, entregando 600 mil certificados. Tivemos escolas em tempo integral, o Bolsa Universitário, 33 mil computadores para professores, federalizamos a escola técnica de Planaltina e viabilizamos 11 Institutos Federais. O pessoal se lembra disso, mas cobra muito a saúde, a regularização fundiária e o apoio à agricultura familiar.
Por que a saúde pública continua sendo a reclamação mais caótica da população?
A saúde está caótica e matando gente, com pessoas esperando três anos por cirurgia. Na oncologia, alocamos R$ 120 milhões para o Hospital do Câncer e perderam o prazo; a obra está na fundação. Perdi meu irmão de câncer esperando tratamento. Leva-se seis meses para um clínico, seis para o especialista e seis para o exame. E temos R$ 74 bilhões de orçamento. Falta gestão: não há controle de estoque de remédios, não há integração dos sistemas e o salário dos médicos é baixo para fixar o profissional.
O senhor encerra o mandato de senador e agora vai disputar a Câmara dos Deputados. Por que essa mudança?
O (José Roberto) Arruda tinha um compromisso comigo, mas, com os problemas jurídicos dele, as coisas mudaram. Aí o Flávio Bolsonaro me pediu: "Izalci, não abandona, vai para federal. A gente precisa de uma liderança sua na Câmara. O trabalho que você fez no Senado é maravilhoso". Resolvi mudar para federal sabendo que tudo acontece no tempo certo.
E qual é a sua avaliação sobre o Banco de Brasília (BRB) e essas denúncias de rombo na instituição?
O BRB é fundamental para Brasília, mas essa gestão resolveu abrir o banco para o Brasil todo. Compraram carteiras que não prestam e hoje há um prejuízo estimado em R$ 22 bilhões. Não publicaram o balanço até hoje porque é inviável. É um absurdo o governo pedir empréstimos comprometendo fundos por 15 anos enquanto o banco vive isso. E a Câmara Distrital não fez CPI nem fiscalizou, aprovando processos em 24 horas.
Em relação ao STF e ao Judiciário, o que precisa mudar na próxima legislatura?
O primeiro passo é aprovar meu projeto de resolução estabelecendo prazos de 5 dias para o presidente do Senado se manifestar e 15 para instalar CPI ou processo contra ministro. Quando votamos o fim das decisões monocráticas, teve ministro do Supremo ligando para senador e ameaçando colocar processo na pauta. Há uma chantagem. Precisamos de senadores independentes para votar contra esse ativismo e reequilibrar os Poderes.
Se eleito deputado federal, qual será o seu foco principal de trabalho?
Minha obsessão é a educação ligada à ciência e tecnologia. Fui relator do Fundeb e presidente da comissão do novo ensino médio. Precisamos corrigir a alfabetização na idade certa e investir no ensino profissionalizante. Hoje, 60% dos jovens saem do ensino médio sem saber matemática e 78% não entram na faculdade nem têm profissão. Sem escola moderna, com internet e laboratório, não se segura o aluno. Precisamos valorizar o professor e dar uma profissão ao jovem.