CRIME

Réu por assassinato, Xavier chora e acusa articulação para incriminá-lo

Em mais de uma hora de depoimento, ex-parlamentar Carlos Xavier, réu por assassinato do adolescente Ewerton Ferreira, 16 anos, declarou-se inocente e sustentou que a verdade prevalecerá no julgamento. "Acabou com minha vida", declarou

Xavier iniciou o discurso falando da infância, do trabalho, da vida religiosa e do casamento -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Xavier iniciou o discurso falando da infância, do trabalho, da vida religiosa e do casamento - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Pouco após às 20h desta quarta-feira (23/9), Carlos Xavier, réu por assassinato do adolescente Ewerton Ferreira, 16 anos, declarou-se inocente no Tribunal do Júri e chorou por duas vezes no Plenário. Em mais de uma hora de fala, acusou a cúpula da Polícia Civil do DF e autoridades políticas de arquitetarem uma armadilha para tirá-lo do poder. À época do crime, em 2004, Xavier era deputado distrital e teve a candidatura cassada com o indiciamento.

Xavier iniciou o discurso falando da infância, do trabalho, da vida religiosa e do casamento. Logo no início, antecedeu o vínculo entre ele e Ewerton, a vítima: “Conhecia ele e a família dele. Éramos irmãos da mesma congregação”.

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Segundo os autos do processo, ficou comprovada a participação de Xavier no assassinato de Ewerton. A motivação do crime cravou uma possível vingança do então deputado perante às suspeitas de que a esposa dele estaria mantendo uma relação extraconjugal com o adolescente.

Xavier classificou a investigação e os depoimentos como mentirosos. Afirmou que tomou conhecimento de uma traição da esposa, mas com um rapaz chamado Renan. “Eu estava numa padaria e uma moça me chamou. Disse que queria conversar sério. Fui na casa dela depois, e ela disse que minha esposa estava me traindo e se envolvendo com drogas. Tomei um susto. Éramos da igreja, e ela estava vivendo um mundo paralelo”, detalhou.

À época, Xavier divorciou e ganhou na Justiça a guarda das três filhas. “Mas vi que elas (meninas) estavam tristes e perguntei se queriam morar com a mãe. Elas aceitaram e deixei. Mas fui uma dor enorme”, afirmou.

Acusação

Oito meses depois, ainda durante as diligências do assassinato, o nome de Xavier entrou no radar da polícia após o depoimento de um dos presos identificado como Leandro, que alegou ter recebido R$ 15 mil para a execução.

A defesa de Xavier sustenta que políticos, delegados e agentes da PCDF se uniram contra Xavier para o incriminar. Os advogados se apegam a um detalhe ocorrido na carceragem onde Leandro estava detido. De acordo com a defesa, três agentes entraram na cela às 19h e saíram às 22h. No dia seguinte, o preso solicitou um novo depoimento e apresentou o nome de Xavier como mandante.

“Acabou com minha vida. Mas eu sei que a verdade vai prevalecer”, sustentou Xavier. Acrescentou ainda que recebeu uma proposta de integrantes da polícia para que pagasse R$ 500 mil para que o crime fosse imputado à ex-mulher. “Levei à Corregedoria e não deu nada”, finalizou.

 

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postado em 23/09/2026 21:56 / atualizado em 23/09/2026 22:48
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