
Uma organização criminosa é investigada por vender dados íntimos de milhares de vítimas em plataforma clandestina. No site, os inscritos, que eram estelionatários e golpistas espalhados por todo o país, pagavam uma mensalidade para consultar informações a partir do CNPJ ou CPF. Dados como filiação, endereço, processos judiciais, nome e vínculos eram disponibilizados aos assinantes que, por sua vez, utilizavam-se do material para aplicar novos golpes.
O site foi derrubado na manhã desta quinta-feira (24/9), pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado do DF (DRCC/Decor). Ao menos 13 integrantes do grupo criminoso foram identificados no sistema organizado da quadrilha. Entre eles, alguns desempenhavam o papel de desenvolvedores da plataforma; outros, de líderes; e ainda os responsáveis pelos anúncios e vendas.
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Estima-se que a organização tenha conseguido angariar cerca de R$ 7 milhões entre 2021 e 2024, além de outros R$ 4 milhões somente em 2025. Os lucros da plataforma clandestina eram ocultados por meio de uma empresa de fachada, movimentação triangulada de criptoativos entre líderes do grupo e contas-bolsão. A quadrilha já estava finalizando uma segunda plataforma com o mesmo objetivo, mas foram interceptados pela polícia.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, um dos grupos que participavam da clientela da plataforma foi a quadrilha dos falsos advogados, que se utilizavam dos dados pessoais das vítimas (muitas do DF) para se passar pela defesa delas e exigir valores. Ainda segundo a corporação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, realizados em seis estados diferentes: Minas Gerais, Piauí, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Espírito Santo.
Estima-se que a base de dados do site chegou a somar milhões de registros, encontrados de maneira criminosa em operadoras de telefonia, sistemas de órgãos públicos e conselhos profissionais.
Devido às investigações da Operação Perseu7, a Justiça determinou o bloqueio, bem como o sequestro de bens, criptoativos e valores no limite de R$ 7 milhões. A medida ainda alcança bens como veículos de alto padrão, imóveis e uma embarcação. A pena dos investigados pode ultrapassar 36 anos de reclusão, devido aos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, invasão de dispositivo informático e organização criminosa.
O nome da operação remete a uma história da mitologia grega, onde Perseu derrota Medusa ao cortar a cabeça dela (carregada de serpentes). O nome do herói foi abraçado porque ele consegue acertar o centro de onde se ramificava o mal. Uma vez cortada a cabeça da vilã, as serpentes deixam de ter força.
Cidades DF
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