
A candidatura de José Roberto Arruda (PSD), barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), altera drasticamente a disputa ao Governo do Distrito Federal. A avaliação é do diretor de Negócios do Instituto Opinião Inteligência Política, Carlos André Machado, em participação ao CB Poder — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília. Segundo ele, com a saída do ex-governador, Celina Leão (PP) consolida sua liderança e se aproxima da vitória ainda no primeiro turno. Às jornalistas Mariana Niedeauer e Sibele Negromonte, o especialista detalhou a migração de votos e as perspectivas do pleito a menos de dez dias da votação.
Com a saída de Arruda, para onde vão migrar os votos que seriam direcionados a ele?
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Na nossa última pesquisa Correio/Opinião, Celina (Leão, do PP) atingia cerca de 40% dos votos válidos em um cenário com Arruda (PSD), enquanto ele aparecia com 25%. A diferença no segundo turno entre os dois era de apenas quatro pontos percentuais. Sem o Arruda, essa circunstância muda completamente e quem mais ganha é Celina. Cerca de 31% dos votos de Arruda migram diretamente para ela. O eleitor de direita ou centro-direita alinhado a ele não vai migrar para o campo da esquerda. A tendência natural é ir para quem mais representa esse segmento, que, hoje, é Celina.
Como fica o percentual dos demais candidatos com a saída do ex-governador?
A segunda candidata que mais capta essa fatia é Paula Belmonte (PSDB), que recebe 15,5% dos votos que eram do Arruda — o que dá um ganho de 3,2 pontos percentuais no total dela. Leandro Grass (PT) aparece em terceiro nessa migração, com 11%. Outro ponto importante é que 23% dos eleitores de Arruda declaram que pretendem votar em branco ou anular o voto diante da ausência (válida) dele na urna.
Há chance de a eleição ao GDF ser decidida já no primeiro turno?
A chance é muito grande. Em termos de votos válidos, excluindo brancos e nulos, Celina aparece, hoje, com 49% no cenário testado sem Arruda. Está na margem de 1% para liquidar a fatia necessária no primeiro turno. Para efeito de comparação, na eleição de 2022, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) venceu no primeiro turno com 50,3% dos votos válidos, e a nossa pesquisa, à época, indicava ele com 49,5%.
E na hipótese de haver segundo turno, qual seria o desenho das candidaturas?
O segundo turno seria entre Celina Leão e Leandro Grass, que vem demonstrando uma trajetória de crescimento consistente ao longo das rodadas, chegando a cerca de 20% dos votos válidos. No entanto, no nosso cenário de segundo turno entre os dois, a diferença a favor de Celina é da ordem de 17 pontos percentuais. Em uma campanha curta de segundo turno, tirar essa margem é uma tarefa bastante complexa.
Qual é o impacto do julgamento de Arruda na disputa pelas vagas ao Senado Federal?
O impacto no Senado é considerável. A dupla mais beneficiada é Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. O eleitorado de Arruda congrega uma parcela expressiva da direita. Como um terço desses votos migra para Celina, que tem uma forte conexão política com as candidaturas de Bia e de Michelle, cria-se uma tendência. Bia Kicis vinha demonstrando uma curva ascendente em pesquisas recentes, e essa reconfiguração deve consolidar esse movimento do eleitorado conservador, enquanto Leila (do Vôlei - PDT) e Érika (Kokay - PT) estão conectadas muito mais na campanha da esquerda do presidente Lula (PT).
O acirramento da disputa presidencial nesta reta final pode interferir no comportamento do eleitor nas eleições locais?
Acredito que haverá pouca mudança em relação a isso, pois a dinâmica local está bastante calculada e precificada. O olhar do eleitor ao escolher o governador é voltado para a figura de um gestor, de alguém que resolva os problemas práticos da cidade. A eleição para a Presidência, sim, carrega uma carga ideológica mais aflorada e polarizada. Por isso, o que está posto na corrida presidencial tende a causar pouco impacto direto no cenário do Distrito Federal.
Assista a entrevista completa:
Cidades DF
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