
A quarta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para o Senado, divulgada na terça-feira, mostrou uma consolidação da liderança de Michelle Bolsonaro (PL) e o acirramento da disputa entre Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT). Faltando 10 dias para as eleições, os candidatos repercutiram os resultados e detalham as expectativas para a reta final das eleições de 2026.
Michelle Bolsonaro mantém-se na liderança, com 22,2% das intenções de voto. Leila do Vôlei continua na segunda posição da pesquisa, com 17,6%. Já o terceiro e quarto lugares tiveram uma troca de posições. Bia Kicis, que registrou 11,6% na terceira rodada da pesquisa, marcou, agora, 15% das intenções de voto, ultrapassando Erika Kokay, que registrou 13,9%. Com aumento de 1,7% em relação à pesquisa anterior, Bia Kicis está tecnicamente empatada com Leila do Vôlei, na parte de cima da margem de erro, e com Erika Kokay, na parte de baixo. O candidato Sebastião Coelho (Novo) continua na quinta posição, somando 2,1%.
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Concorrendo à reeleição, Leila do Vôlei comentou sobre a pesquisa e atribuiu os resultados ao seu trabalho nas ruas. "A pesquisa mostra a força de um trabalho construído em todas as regiões do Distrito Federal e ajuda a explicar por que temos sido alvo de ataques baixos nas ruas e nas redes sociais", disse. Segundo a candidata, as campanhas seguem pelas ruas do DF, focando no resultado final das eleições. "Vou continuar percorrendo o DF, ouvindo as demandas das famílias, mostrando nossas entregas e apresentando nossas propostas, porque não existe eleição ganha. A pesquisa mais importante será a das urnas, em 4 de outubro", acrescentou.
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Para Bia Kicis, a pesquisa mostra que as eleições não estão definidas. "Eu, Leila e Érika estamos tecnicamente empatadas. Isso demonstra que a disputa pela segunda vaga está completamente aberta", assinalou. Bia atribuiu o crescimento em comparação à pesquisa anterior ao apoio de Michelle Bolsonaro. "Estamos mostrando ao eleitor que são duas vagas e que podemos eleger duas senadoras de direita que defendem liberdade, segurança, empoderamento feminino. Temos pautas para melhorar o transporte, a saúde e a educação, e, principalmente, somos contra as atrocidades que o desgoverno do PT tem feito com o país", declarou.
O candidato Sebastião Coelho disse que "recebeu a pesquisa com tranquilidade". "Assim como a pesquisa que nos deu 14% não causou frisson de vitória", disse. Coelho reforçou a confiança nas urnas e relembrou a eleição de Damares Alves, em 2022. "A urna é soberana e já vimos, em 2022, um erro de 23 pontos percentuais na eleição da senadora Damares Alves", acrescentou.
Incerteza
Apesar de ter diminuído, o número de indecisos segue como um elemento importante para a definição das eleições ao Senado. Na pesquisa espontânea mais recente, 38,8% dos eleitores declararam não ter escolhido um candidato, contra 46,7% da terceira rodada. A cientista política da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora-geral do Observatório do Congresso, Evelyn Apolinaria, destaca que essa contingente pode mudar o curso da votação.
Para ela, uma das razões para a quantidade de votos sem definição pode ser reflexo do desconhecimento do eleitorado. "Muitas vezes, as pessoas não sabem que existem duas vagas em disputa. Então, não adianta, por exemplo, escolher um candidato e votar nele duas vezes. O eleitor precisa tomar uma decisão sobre dois candidatos", explicou.
Ela destacou que esse cenário é comum em eleições que renovam dois terços das cadeiras do Senado Federal, como as de 2026. "As pessoas digitam o número errado, ou duas vezes o mesmo número, e acabam anulando o voto. Isso é um problema para o nosso processo como um todo", acrescentou.
Sobre os resultados alcançados pelos candidatos na pesquisa, Evelyn destacou que houve uma "balançada", em relação à pesquisa anterior. "A pesquisa do Correio me chama a atenção pela (pesquisa) estimulada, que mostra Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay bem próximas uma da outra", disse.
O levantamento também mostrou a taxa de rejeição das candidatas. A lista é encabeçada por Michelle Bolsonaro, com 30,9%; logo em seguida vem Erika Kokay, com 30,1%; em sequência vem Bia Kicis, com 14,2%; e Leila do Vôlei, com 13,3%. Segundo Evelyn, esse fator pode interferir no resultado final. "Isso reflete um pouco a polarização, elas são candidatas competitivas. A Michelle vinha em uma crescente, mas a rejeição também está aparecendo e isso pode colocar a campanha em xeque", explicou.
As estratégias para os últimos dias de campanha, na opinião da especialista, podem ser focadas em dois pontos: dobradinhas e rejeição. "Leila, por exemplo, tem a menor rejeição entre os candidatos. Então, ela tem a maior capacidade, provavelmente, de atrair os votos indecisos, tanto de pessoas à direita quanto de pessoas à esquerda", comentou. Nesse cenário, uma dobradinha com a Érika Kokay pode ser benéfica. "Mesmo em uma chapa com a Érika, ela ainda tem um espaço para conseguir votos com alguns eleitores indecisos que são mais à direita. Não exatamente a direita bolsonarista, mas uma direita mais moderada", acrescentou.
Michelle Bolsonaro e Erika Kokay não se manifestaram sobre o resultado da pesquisa até a publicação desta reportagem.
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