A candidata ao governo do Distrito Federal Samara Mineiro (UP) fez uma panfletagem na Rodoviária do Plano Piloto nesta quarta-feira (2/9). Durante a agenda, a candidata afirmou que escolheu o local como um ponto estratégico da campanha por ser um local de grande circulação de trabalhadores de diferentes regiões do Distrito Federal. Ela também defendeu mudanças no sistema de transporte público e criticou a concessão da rodoviária à iniciativa privada.
Segundo Samara, a atividade permitiu ouvir demandas de trabalhadores que circulam pelo terminal. Entre os principais problemas relatados, segundo ela, está a situação dos profissionais que trabalham por meio de aplicativos de transporte. Samara criticou o modelo de remuneração adotado pelas plataformas e afirmou que os trabalhadores acabam arcando com grande parte dos custos e riscos da atividade.
“A principal demanda, hoje, é em relação aos trabalhadores de aplicativo, que têm uma situação de extrema precariedade. Vemos como essas empresas ficam com grande parte do que esses trabalhadores arrecadam, como todo o custo das multas e de todos os problemas que surgem é dos trabalhadores”, disse.
Como alternativa, a candidata propôs a criação de um aplicativo de transporte administrado pelos próprios trabalhadores. A ideia, segundo ela, seria permitir que a categoria participe diretamente das decisões sobre remuneração e condições de trabalho. “Temos como proposta a criação de um aplicativo que seja pensado e gerido pelos próprios trabalhadores, para que pensem a melhor forma de remuneração e a melhor forma de trabalho”, declarou.
Além do aplicativo, Samara defendeu a criação de pontos de apoio para motoristas e outros trabalhadores que atuam no sistema de mobilidade. Segundo ela, a estrutura deveria oferecer acesso a itens básicos, como banheiro, água e espaço para descanso. “É fundamental que em todas [as regiões] tenham pontos de apoio para esses trabalhadores, que são uma categoria consolidada no nosso país”, afirmou.
Transporte coletivo
Para o transporte coletivo convencional, a candidata defendeu a ampliação da atuação da TCB, empresa pública de transporte do Distrito Federal. A proposta é transformar a companhia em uma empresa responsável por atender todo o DF, assumindo gradualmente funções hoje desempenhadas por empresas privadas. “Temos como proposta pegar a TCB, que é uma empresa pública de transporte, e transformá-la em uma grande empresa de transporte que atenda todo o Distrito Federal”, disse.
Samara afirmou que a mudança deveria ocorrer de forma gradual e permitiria ao governo assumir o planejamento das linhas e da oferta de transporte, além de estabelecer melhores condições de trabalho para os profissionais do setor. “Hoje mais de R$ 2 bilhões do dinheiro do povo vai para as empresas privadas de transporte. Então, esse dinheiro deveria ser utilizado na construção de uma empresa pública que sirva às necessidades do povo”, afirmou.
A candidata também defendeu a adoção da tarifa zero no transporte público. Para ela, a gratuidade seria viável caso os recursos atualmente destinados às empresas privadas fossem direcionados para uma estrutura pública de transporte. “A nossa proposta não é fazer tarifa zero enriquecendo o empresário. A nossa proposta é, sim, construir a tarifa zero a partir da criação dessa empresa pública”, declarou.
