ELEIÇÕES 2026

Mayara Noronha se define como uma candidata de centro-direita

Ex-primeira-dama e ex-secretária de Desenvolvimento Social do DF, candidata do Podemos fala sobre trajetória na gestão pública, ações sociais e decisão sobre candidatura

Mayara Noronha, ex-primeira-dama e ex-secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, decidiu entrar na disputa eleitoral deste ano para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Podemos. Em entrevista ao Podcast do Correio, a candidata do Podemos se definiu como de centro-direita, criticou a polarização política e afirmou que ainda não escolheu em quem votará para o Governo do Distrito Federal (GDF). Às jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira, Mayara também contou sobre a entrada na política e a atuação à frente de ações sociais.

Posição política

"Brasília é um ambiente de direita. Eu sou de centro-direita. Sou de direita na ordem, nas ideias, nos valores. Mas eu sou a pessoa do diálogo. Não sou da direita radical, de forma alguma. Acredito que, inclusive, esse radicalismo é o que prejudica a nossa construção política, porque a gente está vivendo exatamente essa era de brigas. Um momento em que, se você é de um lado, tem que ser totalmente contra quem está do outro lado. Sou totalmente contra a polarização. Na minha memória, sempre houve debate de alto nível dentro do Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF). Eu sou do mundo do direito, tinha orgulho da forma como debatiam. De dez anos para cá, o que a gente vê é baixaria constante. Fico feliz de as pessoas conseguirem, hoje, acompanhar mais a política. Porém, ao mesmo tempo, em vez de elas acompanharem para subir o nível, para querer entrar, para aumentar a rotatividade de quem entra e sai da política, eu estou vendo que as pessoas, na verdade, estão colocando mais em descrédito aqueles que se colocam à disposição. Isso é muito ruim."

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Mulheres

"Eu nunca tive uma pauta feminista, mas eu sou da pauta feminina. Defendo muitas mulheres. Analisando as pesquisas, eu olhei o ranking de candidatos e pensei: 'O que custa a mulherada, que é o maior público que vota, escolher uma mulher para dar peso?'. Não para querer competir. Não para cumprir cota. Não é isso. Mas é a questão da análise da legislação em que nós vamos trabalhar. Por que essa predominância masculina? Qual o motivo disso?"

Apoio para GDF

"Estou analisando todos os candidatos. Ainda bem que o voto é secreto. Não escolhi ainda. Inclusive, sempre estou falando: nunca vendam o voto de vocês ou votem porque alguém pediu. Tenham voto consciente. Escolham seus candidatos de acordo com o que vocês acreditam."

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Candidatura

"Eu não iria me candidatar em 2026. Quando eu fui para o Podemos, foi na missão de ajudar a Ana Paula Marra na candidatura como distrital. Ela sempre realizou um trabalho de excelência, mas não era uma figura conhecida. Em julho, a vontade de ir para a política era notória. Sempre me envolvi por vontade, não por obrigação. Nas convenções do partido, em agosto, eles precisavam dar o xeque-mate e publicar quem eram os candidatos. Mas eu não estava convicta. Quando você dá um sim para a política, você tem que ir com todas as suas responsabilidades e certezas. Não tem como ter dúvida. Eu teria até o dia 15 de agosto para poder me candidatar. Porém, o partido tinha que encaminhar uma lista completa dos candidatos e acabou encaminhando com o meu nome. Eu descobri que era candidata pelos portais de notícias. Poderia renunciar, mas quem sou eu para desistir? Prestei serviços durante os últimos sete anos. Agora, estou percorrendo outros espaços, me apresentando."

Assista ao Podcast completo:

Desafio

"A minha dificuldade hoje é me fazer ser conhecida como candidata. Quando falamos dos programas, as pessoas reconhecem; quando falam das ações, as pessoas reconhecem, mas as pessoas não conseguem vincular a Mayara com esses trabalhos. Esse é o desafio."

Ação social

"Criei as ações sociais que hoje estão no calendário do governo. Em 2020, assumi a Secretaria de Desenvolvimento Social, que não tem nada a ver com ação social. Foi através dessa minha gestão, enquanto primeira-dama à época, que eu consegui fazer uma grande mobilização e sanar a fome daqueles que estavam aguardando uma cesta básica. Eis que nasce o Cartão Prato Cheio, que foi o pioneiro no país na forma de modernizar a entrega da cesta básica brasileira. A partir do DF, outros estados foram implementando, alguns inclusive com o mesmo nome. Então, eu tenho orgulho de falar dessa política pública, que se tornou referência nacional. Com o Cartão Prato Cheio, foram mais de 500 mil famílias alimentadas. Fora isso, tem DF Social, Cartão Gás, Cartão Material Escolar. O impacto dentro das casas das pessoas é significativo."

 

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