Um total de 11 pessoas foram presas preventivamente, nesta quinta-feira (10/8), durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que investiga uma organização criminosa suspeita de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins. A investigação aponta que a organização criminosa teria levado um comerciante de 68 anos, a contrair sucessivos empréstimos com agiotas brasileiros e colombianos. As dívidas tinham juros superiores a 20% ao mês. Em 21 de março de 2025, pressionado pela cobrança, o homem tirou a própria vida dentro da própria banca comercial.
Segundo a investigação, o comerciante era semianalfabeto e recorria ao celular da filha para negociar os empréstimos por meio de mensagens de áudio. A conta bancária dela também era usada para receber os valores e pagar as parcelas. Depois da morte do comerciante, as cobranças passaram a ser direcionadas aos familiares. As ameaças, de acordo com a PCDF, incluíam referências ao uso de violência, o envio de uma fotografia do antigo endereço da família e a presença de integrantes do grupo no local. Com medo, os parentes deixaram a residência onde moravam.
A apuração, realizada pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), identificou ainda um segundo núcleo, formado por colombianos e considerado independente do grupo brasileiro, que foi alvo de uma primeira fase da operação, em 2025.
A análise de dados bancários, celulares, imagens de câmeras, planilhas de cobrança e outros elementos levou os investigadores a apontar uma estrutura hierarquizada, com divisão de tarefas entre líderes, gestores financeiros, cobradores e responsáveis por intimidação e logística. Durante as buscas, foram apreendidos armas de fogo, munições, veículos de alto luxo, documentos, registros de cobranças e listas de devedores.
Entre janeiro e agosto de 2025, as contas analisadas receberam R$ 10,17 milhões em créditos. Uma das 12 prisões autorizadas não foi cumprida porque a investigada não foi localizada. Os suspeitos poderão responder, em tese, por usura, extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
Segundo a PCDF, as cobranças eram feitas por aplicativos de mensagens e também presencialmente. Ao todo, foram expedidas 47 ordens judiciais, sendo 12 de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 17 de bloqueio de ativos financeiros na operação Iustitia Victis. As medidas patrimoniais atingiram 14 pessoas físicas e três empresas, com bloqueio limitado a R$ 10,17 milhões.
