“Foi um filme de terror.” Assim descreve uma das vítimas do incêndio em uma lancha no Lago Paranoá, no último domingo (20/9). A sobrevivente contou que estava com amigas na embarcação quando o marinheiro contratado realizou diversas tentativas de partida, mas não teve êxito. O grupo havia acabado de entrar na embarcação quando percebeu que o abastecimento ainda não havia sido feito. Segundo ela, na tentativa seguinte, ocorreu uma explosão. Quatro pessoas seguem internadas e recebem atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
“Na hora que a gente entrou na lancha, eles não tinham abastecido ainda, e esse foi um dos erros, porque o certo é abastecer para depois a gente embarcar, e a gente percebeu que não teve esse cuidado”, relatou a vítima, que sofreu queimaduras na perna.
Ela conta que, quando o motor foi acionado, houve uma interrupção. “Na hora que eles ligaram o motor, eu acredito que tinha uma trava de segurança, porque o som desligou, o motor desligou, tudo desligou. Só que eles ignoraram e tentaram ligar de novo, forçando o motor, e foi aí que se deu a explosão”, afirmou.
A vítima estava sentada com as amigas em um sofá localizado próximo à região do tanque de combustível. De acordo com ela, depois da explosão da parte traseira da lancha, uma das amigas foi lançada para fora da embarcação. “Começamos a pegar fogo e aí a gente pulou na água para apagar o fogo”, contou ela, com a voz embargada.
O resgate ocorreu com a ajuda de pessoas que estavam em motos aquáticas. Ela descreveu que parte das vítimas não sabia nadar. "O pessoal da marina e que estava com jetski veio e nos resgatou porque algumas das pessoas não sabiam nadar. Depois, os bombeiros chegaram e nos atenderam”, disse.
A sobrevivente também relatou a gravidade dos ferimentos entre os passageiros. Segundo ela, os cabelos de várias pessoas foram queimados e algumas vítimas tiveram uma parte extensa do corpo atingida. “A gente sofreu muito, senti muita dor, o nosso cabelo queimou. Foi horrível. A minha queimadura foi só na perna. Uma das minhas amigas teve até 70% do corpo queimado”, relatou.
No hospital, ela afirmou que as vítimas mais gravemente queimadas permaneciam internadas. “Graças a Deus, ninguém morreu, está todo mundo bem. As pessoas que estão mais queimadas estão todas internadas e recebendo atendimento. O atendimento foi bem rápido”, acrescentou.
Investigação
A Marinha do Brasil informou que a embarcação transportava 15 pessoas e era conduzida por um profissional contratado. Segundo a corporação, houve uma explosão a bordo, seguida pelo incêndio, iniciado por volta das 16h30.
A Capitania Fluvial de Brasília (CFB) vai instaurar um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do acidente. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou o combate às chamas, que foram extintas por volta das 18h.
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), 13 pacientes envolvidos na ocorrência foram atendidos no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Quatro permanecem em atendimento na unidade, sendo dois homens e duas mulheres, enquanto outros dois foram encaminhados, a pedido, para hospitais da rede privada.
A pasta não divulgou informações individualizadas sobre o estado de saúde dos pacientes, em respeito ao sigilo médico e de prontuário.
