Candidato ao Senado pelo Partido Novo, Sebastião Coelho, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), foi o convidado do Podcast do Correio da última segunda-feira (21/9) e abordou suas propostas se for eleito. Às jornalistas Ana Maria Campos e Sibele Negromonte, ele também comentou sobre a recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a relação que mantém com as candidatas ao Senado Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL.
Como aliado de Bolsonaro, como o senhor vê as candidaturas de Michelle e Bia também ao Senado?
Tenho uma relação muito próxima com Jair Bolsonaro, desde quando ele era deputado federal. Antes da minha filiação ao Partido Novo, conversei com ele, e em nenhum momento, ele falou para que eu não me candidatasse ao Senado. A Bia e a Michelle lançaram as suas candidaturas, e cada um de nós seguiu o seu caminho. A Bia é uma excelente parlamentar, mas ela começou a dar entrevistas falando que ela e a Michelle me convidaram para ser suplente e que eu não teria aceitado. Era como se eu tivesse a obrigação de ser suplente. As campanhas feitas pelos apoiadores delas falam que, se a pessoa vota em mim, está elegendo uma senadora de esquerda. Mas não é verdade, quem está votando em mim, estará me elegendo. Agora, se alguma delas tem segurança de que não terá os votos suficientes para a eleição, aí não me diz respeito.
Duas candidatas de esquerda também fazem dobradinha. O senhor está fazendo dobradinha com alguém?
Eu sou um defensor intransigente das mulheres. Sou casado há 48 anos, tenho três filhas e uma neta, sou voto vencido em casa. As candidatas de esquerda e de direita estão pedindo voto para a sua dupla, eu estou excluído. Então, eu me vejo na obrigação de não pedir voto para nenhuma das candidatas mulheres, infelizmente. Eu vou recomendar o voto em três candidatos homens. Em um momento oportuno, vou dizer quais são.
Ainda sobre as dobradinhas, o senhor acredita que isso ajuda? Como enxerga essa estratégia?
Ela ajuda, mas não é determinante. Usando a Michelle como exemplo de novo: ela levou Bia para dentro das igrejas evangélicas. Algumas aceitaram, outras não. Uma se dispôs a levar e a outra a ir. Mas isso causou um grande rebuliço para algumas lideranças evangélicas, porque está dividindo a igreja.
O senhor teve uma peça de campanha retirada por determinação da Justiça Eleitoral. O que tem a dizer?
Sou o primeiro candidato que foi censurado na eleição. Acho que de Brasília, eu fui o primeiro (risos). Eu estava dando uma entrevista e falei que, do ponto de vista ético, da direita e do Novo, é uma prática comum nos políticos do Nordeste e do centrão colocar familiares como suplentes (Coelho é de Alagoas). Então, expliquei que a Bia colocou o filho dela como primeiro suplente, e a Michelle colocou o irmão como primeiro suplente. Então, é uma prática, dizendo por mim, que considero da esquerda e do centrão, não de um partido de direita como são o Novo e o PL.
Qual será a atuação do Senado depois das eleições?
O Senado vai ser a casa do equilíbrio da República. Vimos que o Poder Judiciário tomou as atribuições do Poder Executivo durante o governo Bolsonaro e, desde lá, toma as atribuições do Poder Legislativo. O nosso STF, depois da sessão da última terça-feira (15/9), ficou um circo. Foi a coisa mais vergonhosa para o Poder Judiciário. Recuperar a credibilidade do Supremo vai demorar anos, gerações, por todos os abusos e invasões de prerrogativas.
Dependendo da composição do Senado, o que pode acontecer com o Supremo?
O primeiro ministro que tem que sair é o Alexandre Moraes, que já praticou muitos crimes. Ele é um criminoso, e hoje está provado que é um bandido ocupando o cargo de juiz da Suprema Corte. Outro é o Gilmar Mendes que quebra a Constituição, que grita e esperneia porque não tem argumentos. O próximo Senado terá essa responsabilidade. A Michelle foi a um evento evangélico ontem e falou que, se for necessário, ela vota o impeachment (do Alexandre de Moraes). Se for preciso? Pelo amor de Deus. Alexandre de Moraes já era para ter saído há muito tempo se não fosse a covardia do atual Senado e a conivência criminosa de Davi Alcolumbre.
Quais propostas a sua candidatura traz?
A primeira delas é uma grande reforma. Não só soltar o Jair Bolsonaro, mas tirar o Alexandre de Moraes e fazer uma ampla reforma do Poder Judiciário para começar. Ministro do STF precisa ter uma carreira de magistrado, ter no mínimo 55 anos e colocar um mandato de 15 anos. Sobre segurança pública, sou a favor de armar o cidadão de bem. Ele tem o direito de usar armas, mas não é dar armas a qualquer um. A pessoa vai ter que passar por vários requisitos, como treinamento e exame psicológico, para conseguir a permissão. Ainda na área de segurança, é necessário investir nos policiais e em equipamentos. Sobre cultura, a segurança impacta nisso também. Um pai, às vezes, não deixa o filho ir para um show porque não sabe se ele vai voltar vivo. Outra coisa é dar esses orçamentos gigantes, que as prefeituras dão para artista renomado, para o artista que está começando, para que ele possa ser alavancado. Sobre a saúde, um dos maiores gargalos de Brasília, a capital também atende as pessoas do Entorno. Para essa parcela a mais que os hospitais daqui recebem, deveria ter uma compensação do Fundo Constitucional. Tem que melhorar o transporte público, para que essa população seja incentivada a pegar o ônibus e não usar o carro, evitando engarrafamento. Por último, também vou acabar com esse assistencialismo do jeito que está que, para mim, é uma escravidão. Para isso, é necessário ensinar o jovem desde cedo a estudar e a trabalhar.
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