Entrevista | Max Maciel | deputado distrital

"Vamos mostrar o que está em jogo", diz Max Maciel sobre o 2º turno

Em entrevista ao CB.Poder, o parlamentar mais votado da história da CLDF comentou que pretende atuar no segundo turno das eleições em apoio a Lula e a Leandro Grass, ambos do PT. Para o próximo mandato, ele disse que irá priorizar 26 propostas

Max Maciel (PSOL), deputado distrital reeleito com a maior votação da história da Câmara Legislativa do DF, é o entrevistado do CB.Poder. Na bancada: Denise Rothenburg e Ana Maria Campos -  (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Max Maciel (PSOL), deputado distrital reeleito com a maior votação da história da Câmara Legislativa do DF, é o entrevistado do CB.Poder. Na bancada: Denise Rothenburg e Ana Maria Campos - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

O deputado distrital mais votado da história do DF, Max Maciel (PSol), reeleito com 92 mil votos, afirmou que, para o segundo turno das eleições ao Palácio do Buriti, a estratégia é ir a diferentes territórios, pessoalmente, mostrar à população o projeto de governo de Leandro Grass (PT). Nesta terça-feira (6/10), em entrevista ao CB.Poder  — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — ele disse que, no próximo mandato, pretende priorizar a rede de cuidados. Conhecido pela atuação no transporte público, o parlamentar afirmou que deseja trabalhar questões ambientais e dialogar com quem vive no Entorno da capital. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, o pedagogo comentou, ainda, sobre o futuro do Banco de Brasília (BRB) e perspectivas do PSol.

Qual é a estratégia para a campanha de segundo turno no DF? 

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Desde segunda, estamos reunidos, pensando e organizando atividades enraizadas nas periferias. A tarefa principal é conversar com a população e mostrar o que está em jogo tanto para o DF quanto para o Brasil.  Serão 20 dias de muito trabalho, seguindo um pouco do que foi a nossa campanha, que é o diálogo olho no olho com a população.  

Avalia que é possível virar a eleição nacional?  

Sem dúvida nenhuma. Primeiro, precisamos entender qual é o mapa de abstenção e de voto nulo para encontrarmos essas pessoas. Vamos apresentar não só os candidatos, mas, de fato, o que está em jogo. Há uma onda bolsonarista e conservadora muito forte que, na verdade, não tem uma proposta concreta para o país ou para o DF. Nossas ações são concretas. Tanto nós quanto o deputado Fábio Felix (PSol) temos expressão de voto, mostrando que nossos mandatos atingiram as pessoas.

O que considera que se destacou na sua campanha e garantiu o sucesso na eleição? 

O transporte. Mostramos que uma pauta considerada secundarizada é determinante para tudo no DF. Quando falo em transporte, não estou falando de simplesmente ir de casa para o trabalho. Estou falando, também, de acesso à saúde. A cada cinco consultas, uma pessoa não a realiza porque não consegue chegar ao lugar. Quando falamos em transporte público, estamos falando sobre acesso à cidade, sobre busca de emprego, sobre meio ambiente e sobre segurança pública. Isso não exclui outros debates nos quais atuamos muito fortemente, como contra a compra do Banco Master. Fizemos fiscalização massiva na área da saúde. Foram três anos e nove meses de muito trabalho, que vão perdurar por mais quatro anos.

Qual é a prioridade para o próximo mandato e para a reta final de 2026?

Apresentamos 26 novas propostas para um novo mandato. É sobre isso que vamos nos debruçar. Temos o costume de fazer um planejamento estratégico de mandato para listar nichos e prioridades. Uma delas, por exemplo, é a rede de cuidado. No DF, estamos vivendo a curva geracional mais alta do país. Há mais de 500 mil pessoas idosas e uma rede de cuidadores desassistida. Há as mães atípicas, que não conseguem atendimento para os seus filhos e nem para si mesmas. Vamos trabalhar, ainda, com a perspectiva ambiental. Temos uma desproporcionalidade de arborização. Isso tem relação com o transporte público. Sair de casa para chegar a uma parada de ônibus ou a uma estação de metrô em uma ilha de calor estressa a população. Vamos atuar com a região do Entorno de Brasília. Precisamos dialogar com a população que vive e que trabalha em Brasília. Aqueles que constroem Brasília, mas não são beneficiados por essas construções. 

O que dá para fazer, na Câmara Legislativa, para exigir mais resultados da investigação sobre o BRB?

A Câmara Legislativa pediu para que a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) divulguem todas as informações sobre esse caso. Essa operação foi combinada para saquear um banco público em benefício de interesses individuais. O grande problema é que a população não sente a importância do BRB. O ambulante não foi beneficiado com nenhum microcrédito e o pequeno empresário nunca foi beneficiado pelo BRB. Precisamos salvar o BRB porque ele pode fazer muito pela população. Ele é estratégico para o desenvolvimento do DF. Além disso, há trabalhadores lá dentro. Mais de 5 mil famílias de funcionários não podem ficar ansiosas sem saber qual é o futuro do banco. 

Como vão resolver, para as próximas eleições, a questão de o PSol não ter ultrapassado a cláusula de barreira?

Dos 10 deputados federais mais votados proporcionalmente no país, o PSol está entre os cinco. Faltaram 185 votos para batermos a cláusula de barreira. Há uma questão judicial no Espírito Santo que, resolvendo, a gente reorganiza. Aumentamos uma cadeira na Câmara Federal. Então, mesmo não batendo a cláusula de barreira, o PSol cresceu. Não achamos isso determinante para a sobrevivência do partido. A legenda não vive de mandato. Ela é enraizada nos movimentos sociais, na comunidade, nas universidades, com intelectuais e com artistas. Ela é aguerrida e mostra, no cenário nacional, que o PSol tem sido a renovação do campo de esquerda.

Assista à entrevista completa:

* Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho

 

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postado em 07/10/2026 05:00
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