
O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass (PT), afirmou que pretende ampliar a presença da campanha nas ruas durante o segundo turno em busca da vitória. O petista participou, ontem, do CB. Poder especial das Eleições 2026, e afirmou que busca ampliar o apoio político com outros candidatos que ficaram fora da segunda etapa para a nova fase da eleição. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Grass defendeu que a disputa, no segundo turno, não deve ser tratada como uma eleição entre direita e esquerda.
Qual estratégia pretende adotar no segundo turno uma vez que a distância que o separa da governadora Celina Leão (PP), em termos de votos, é muito grande? Dá pra virar?
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Dá pra virar, a gente vai virar. Vamos continuar fazendo o que fazemos desde o início, perto do povo, conversando com as pessoas, levando proposta, podendo também mostrar a diferença entre Celina Leão e eu. Tem que pesquisar aí: Celina Leão Operação Draco, Celina Leão rombo BRB, Celina Leão crise na saúde. E coloca: Leandro Grass professor, Leandro Grass presidente do Iphan, deputado distrital, leis aprovadas. Essa é a diferença: ficha limpa e ficha suja, réu e não réu. Nós vamos mostrar para a população qual é a diferença. Se o eleitor quiser mudar, eu sou a alternativa para essa mudança.
O senhor e os demais candidatos estarão juntos nessa segunda etapa? Qual a sua expectativa de apoio?
Conversei com o (José Roberto) Arruda, com a Paula Belmonte, com o (Ricardo) Cappelli, com o Kiko Caputo, e estamos dialogando com os outros candidatos que apresentaram uma alternativa à Celina Leão. Quem votou nesses outros candidatos é porque não queria a Celina, porque não concordavam com a continuidade do governo Ibaneis-Celina-Gustavo Rocha. O eleitor queria uma alternativa e eu, dialogando com esses candidatos, quero dialogar com os seus eleitores e com quem não foi votar. Mais de 430 mil pessoas não foram votar, ou foram e desistiram. A gente tem que trazer essas pessoas. Entender que eleição não é só sobre um candidato ou outro, não é sobre um partido ou outro, é sobre o futuro de cada pessoa, cada família, e sobre o futuro da cidade.
Quais desses apoios que você procurou, que fecharam com a sua campanha?
O Cappelli declarou voto em mim, e eu agradeço a ele. Cumpriu uma missão muito importante de denúncia, crítica e contraponto à Ibaneis e Celina. O ex-governador Rollemberg, o próprio PSB, Múcio Botelho e Dayse Amarílio, dois deputados eleitos, conversamos e estão participando, estão em contato com o nosso grupo, com a nossa campanha. Conversei com a Paula (Belmonte), ela teve hoje (ontem) uma reunião com o partido e me parece que o partido (PSDB) vai se manter neutro em alguma medida, mas o grupo dela, eleitores e parte dos apoiadores, a gente tem conversado. Em relação ao Arruda, muitos apoiadores dele vieram nos apoiar, ligado à educação, por exemplo.
Tem alguma proposta dos seus adversários que não foram para o segundo turno, que o senhor avaliou que pode incorporar no seu programa de governo?
Tem várias. O Capelli, por exemplo, trouxe uma proposta sobre uma plataforma para motoristas e entregadores que seja uma plataforma justa, não que explore os trabalhadores. Acho que essa ideia é muito boa, nós vamos incorporar. A Paula Belmonte tem falado muito sobre escola integral, ampliação de creches, a gente também falou, mas nessa sintonia a gente vai reforçar essa pauta. O Arruda falou muito sobre transporte, mobilidade urbana. Eu também. Ele tem uma experiência nisso e a gente vai incorporar essa visão e botar isso realmente com prioridade, como pretendia, mas agora com o apoio dele. O Kiko tem falado muito de transparência, eu também falo. Eu quero que com ele a gente possa ainda fortalecer mais a transparência, a boa gestão, a integridade, os dados abertos. A Unidade Popular tem um projeto muito voltado aos direitos, principalmente de minorias. É importante na democracia isso. Cada um tem uma característica que se soma a nossa, muitas vezes parecida, comum, semelhante, o que faz nessa diversidade termos um projeto para a cidade.
Quais são os seus projetos, se o senhor for eleito, para o orçamento do GDF?
Hoje tem uma margem possível para melhorar o salário dos servidores. Eu vou fazer isso. Com muita responsabilidade, com planejamento, com cronograma definido, começando pelas carreiras que estão há mais tempo sem reajuste, mas a gente precisa investir. E, para investir, a gente tem que melhorar a nossa arrecadação, por isso apresentei um bom programa no desenvolvimento econômico da cidade, para transformar a Brasília na capital da tecnologia, da inovação, para melhorar a nossa economia, gerar bons empregos de qualidade. Apresentei um programa de governo para melhorar o investimento em infraestrutura com recurso federal e internacional na área de transporte público. Eu quero ganhar a eleição para melhorar Brasília. Implementar o sistema de trilhos, ampliar o metrô, implementar o telessaúde, conseguir garantir hospitais bem equipados, tecnológicos com exames, cirurgia, consulta em dia. Tem recurso federal, tem recurso internacional, tem recurso do BNDES, tem recurso do Banco da América Latina, tem como a gente melhorar a nossa arrecadação sem penalizar o trabalhador, sem aumentar impostos e fazer uma boa aplicação do dinheiro.
Vimos no último domingo, vários parlamentares do PL, inclusive no DF, sendo eleitos. Isso não o desmotiva a pensar que essa onda pode favorecer a Celina?
Muita gente que é bolsonarista não votou na Celina. A Celina não é de direita, ela não pertence a esse grupo, ela é do Centrão. A Celina traiu todos os líderes políticos com quem ela caminhou. Não sei se ela vai fazer o mesmo com a Michelle (Bolsonaro), com a Bia Kicis, ou com o Flávio (Bolsonaro), o fato é que, ao que tudo indica, Celina não é confiável. Portanto, não é mais uma eleição sobre a direita ou a esquerda, é uma eleição sobre quem é confiável e quem não é. É sobre alguém que tem um programa que, como eu tenho dito, que vai resolver e como vai resolver os problemas de Brasília, e alguém que até agora não apresentou propostas para nada. A única proposta que ela apresentou foi a que a gente tinha apresentado, que é a tarifa zero, que ela poderia ter implementado.
Qual a estratégia para buscar mais votos para Lula no DF?
Da mesma maneira que tivemos muitas abstenções aqui, tivemos no Brasil como um todo. Quase 33 milhões de pessoas não foram votar, tem que ver o porquê e construir uma estratégia. Da mesma forma que os eleitores que votaram nos outros candidatos, eu digo que o eleitor não tem dono. Mesmo que ele tenha votado em um candidato, não significa que esse candidato, declarando apoio a um ou a outro, vai determinar que o eleitor vai votar naquele. O eleitor é livre, ele é soberano, não é o candidato que é do eleitor, independente do cargo disputado. Creio que nós precisamos, agora, procurar esse eleitorado e apresentar nossa proposta, mostrar que a gente tem um projeto de futuro pro Brasil, não é só sobre o passado. O que o Lula fez pelo Brasil é algo extraordinário, mas a gente não pode esperar que o eleitor seja grato. A gente tem que apresentar um projeto de futuro. A gente tem que trazer para a vida real essa campanha. Se o Flávio ganhar, vai ter vacina no posto de saúde? Porque na época da pandemia não tinha. Aqui no DF é a mesma coisa. Vão perder o cartão de material escolar? Vão perder o Prato Cheio? Ah, Leandro, mas como assim perder? O BRB não está em crise? E se o BRB for privatizado ou liquidado? Como é que vai ficar o benefício social? O sistema de mobilidade, de transporte, vai colapsar. É importante que entendam que o que está em jogo.
Qual sua avaliação da eleição dos deputados distritais do campo progressista?
Eu estou aberto ao diálogo com todos. Eu não vou dialogar só com quem pensa igual a mim. Eu não vou governar só para quem pensa igual a mim. Governador eleito, eu vou conversar com todo mundo. O deputado pode ser totalmente antagônico ao meu projeto político, ao meu partido, mas será que ele não quer que a saúde melhore? Que a gente melhore a educação? Aí quem vai avaliar é o povo. Ele pode ser intransigente por birra, partidária ou ideológica. Ou ele pode ser coerente e ter bom senso, se aquilo é bom para a população. Naturalmente eu vou dialogar com todos.
Ontem (segunda-feira) teve uma reunião com o presidente Lula. Qual foi a principal linha delineada para o 2º turno?
A linha é falar com o povo sobre a vida real. É notório e concreto, uma lógica das redes sociais, das plataformas que mexe com o eleitorado. Ninguém sabe explicar qual é a proposta ou qual é a metodologia do algoritmo. Se a gente não pautar a vida real, vamos ficar reféns do que vai ser dito pelo algoritmo. Quem tem que definir a eleição é o povo, não são as big techs, não é o algoritmo. O presidente Lula falou isso e todos nós concordamos: redes (sociais) e rua. O que está nas redes não pode ser desconectado do que está com o que aconteceu na rua. E não adianta a gente só ficar na rua e não atuar nas redes. As redes são importantes. Se a gente não ocupar as redes, alguém vai ocupar. Se a gente não ocupar as ruas, alguém vai ocupar. É preciso ocupar os dois.
Como o senhor vai mobilizar os candidatos que foram eleitos para continuarem trabalhando no 2º turno?
Nós temos que nos conectar com o coração. Ninguém se mobiliza apenas pela razão. Muita gente se mobiliza pela razão, pela inteligência, pelo pensamento, pela conexão de ideias. Mas também tem quem se mobilize pelo sentimento. É preciso despertar o sentimento da população. Claro que nós temos organização, método, estrutura, e vamos colocar o nosso time na rua para que cada conversa seja feita com um morador, com uma moradora de uma cidade, se transforma em relação, em conexão. Não é só pedir voto, é explicar, convencer, despertar a consciência.
O senhor fez alguma avaliação do que você precisa melhorar na sua campanha?
Fizemos algumas avaliações, estamos escutando o campo dos deputados eleitos, os candidatos que não foram eleitos. Acho que a gente precisa trabalhar cada vez mais em conjunto. O nosso campo é um campo de posição política, de gente que tem ideia, tem proposta. E, às vezes, uma disputa eleitoral de primeiro turno, cada um segue seu caminho. E faz a sua campanha e esquece de fazer a campanha coletiva. Acho que essa é uma correção que a gente vai fazer agora. Quem foi eleito, quem não foi, tem que estar junto.
Cidades DF
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