Entrevista

CB.Saúde debate riscos das canetas emagrecedoras e cuidados com os olhos

Ao CB.Saúde, especialista comenta casos de perda de visão em usuários de canetas emagrecedoras, o uso exagerado de celular e defende brincadeiras ao ar livre para a saúde ocular das crianças. "É importante fazer uma consulta no primeiro ano de vida", destaca

Ibraim Vieira, oftalmologista e cirurgião de catarata do CBV Hospital de Olhos, é o entrevistado do CB.Saúde desta quinta-feira (8/10) -  (crédito: Ed Alves/C.B/D.A Press)
Ibraim Vieira, oftalmologista e cirurgião de catarata do CBV Hospital de Olhos, é o entrevistado do CB.Saúde desta quinta-feira (8/10) - (crédito: Ed Alves/C.B/D.A Press)

Riscos na perda da visão pelo uso de canetas emagrecedoras e costumes que protegem a saúde ocular foram tema do CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. As jornalistas Sibele Negromonte e Carmen Souza receberam Ibraim Vieira, oftalmologista e cirurgião de catarata do CBV Hospital de Olhos de Brasília. 

Tem se falado que o nervo óptico sofre uma espécie de infarto que causaria a cegueira para quem está usando as canetinhas, é isso mesmo?

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Esses 13 casos que foram relatados pela Anvisa são de uma doença que se chama neurite óptica isquêmica anterior, que a gente resume com o nome "noia". É uma doença que existe e que realmente tem tido um aumento da frequência recentemente, e em alguns desses casos está ligado ao uso das canetas emagrecedoras. Mas não existe uma comprovação da relação entre a caneta, entre as medicações.

E o que é essa doença?

A neurite é uma inflamação do nervo óptico, em que existe uma redução da vascularização do fluxo de sangue, de oxigênio, para o nervo. É uma doença mais grave, porque quando o nervo ou qualquer tecido para de receber oxigênio, nutrientes, algumas das células ali se perdem, e perder a visão pode ser uma sequela.

Pensando na "noia", alguém que tem alguma complicação é mais vulnerável? 

Em casos ligados à caneta, a gente não tem estudos suficientes. Em casos habituais, pacientes de maior risco são do sexo feminino, idade entre 40 e 70 anos. Hipertensão é um fator de risco também, mas como é uma doença relativamente rara, a gente tem poucos estudos que conseguem discriminar fatores de risco dos menores.

Uma preocupação cada vez mais recorrente é o uso exagerado de celulares para a visão das crianças. Essas complicações estão mais precoces?

Existe um aumento no mundo todo. E existem vários trabalhos correlacionando com o aumento do uso de telas, mas não existe ainda uma relação causal de que a tela em si é o que causa a miopia, e sim, uma relação entre o aumento da miopia e menor exposição a ambientes ao ar livre e ao Sol. É importante estimular a criança a sair para atividades ao ar livre, brincar, jogar bola no Sol, porque isso aí é um fator protetor conhecido da progressão da miopia.

E a exposição ao sol? Qual é a relação entre a proteção e as lentes, protetor solar, óculos escuros.

O principal problema é a exposição à radiação solar. Usamos o protetor solar para reduzir a exposição da radiação solar nas células da pele, mas a luz entra dentro do olho também. É importante a gente lembrar de protegê-lo. Os óculos escuros com proteção ultravioleta vão prevenir o desenvolvimento e a progressão de doenças.

E as crianças? Há a necessidade de procurar um oftalmologista anualmente. A partir de que idade isso deveria acontecer?

É importante passar no oftalmologista no primeiro ano de vida. Existem algumas doenças como a catarata congênita, que o ideal é ser diagnosticada logo no início da vida. A criança terá menor ou nenhuma sequela visual.  Existem outras doenças, o retinoblastoma, a famosa campanha do olhinho. Aí o oftalmologista consegue perceber ainda nesse primeiro ano de vida. É uma avaliação importante e é recomendável que também se mantenha esse acompanhamento de ano em ano.

Confira a entrevista na íntegra:

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

 

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GC
postado em 09/10/2026 05:00
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