Educação

Professores da rede pública cobram autonomia em ato na Praça do Buriti

Categoria critica projeto da Secretaria de Educação, criado após recuo do DF no Ideb, e diz que não houve diálogo com as escolas

Para a categoria, um projeto de intervenção enviado pela Secretaria de Educação deixa de lado projetos que respeitam a história e o contexto em que a escola está inserida -  (crédito: Foto: Marcelo Ferreira/C.B/D.A Press)
Para a categoria, um projeto de intervenção enviado pela Secretaria de Educação deixa de lado projetos que respeitam a história e o contexto em que a escola está inserida - (crédito: Foto: Marcelo Ferreira/C.B/D.A Press)

Com o tema “Não ao Autoritarismo”, professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) realizaram ato em frente ao Palácio do Buriti nesta quarta-feira (21), em protesto contra o governo de Celina Leão (PP) e o secretário de Educação, Thiago Peixoto. 

O motivo do ato era, em primeiro lugar, para combater o projeto interventivo posto pela secretaria “sem conversa com coordenadores, professores, sindicato e alunos, em desrespeito ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola e ao Currículo em Movimento, que foi construído pelos educadores do DF”, afirmou a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) Márcia Gilda.

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“O que percebemos é uma tentativa de culpabilização de quem está em sala de aula pelo resultado do Ideb”, pontua a sindicalista. Para a categoria, um projeto de intervenção enviado pela Secretaria de Educação deixa de lado projetos que respeitam a história e o contexto em que a escola está inserida, na tentativa de uniformizar situações que não são iguais. 

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) avalia a qualidade da educação a partir de taxas de aprovação, reprovação e abandono e o desempenho dos alunos em exames padronizados de Língua Portuguesa e Matemática. O Distrito Federal foi a única Unidade da Federação a recuar no índice em 2025. 

A Secretaria de Educação do DF instaurou um projeto interventivo nas escolas para elevar o índice de qualidade da educação, que, segundo o Sindicato, consiste em um cronograma de aulas e exposição de conteúdos de recuperação e o envio de materiais didáticos para as escolas. 

Reivindicações de autonomia na prática docente

A supervisora pedagógica da Escola Classe 115 na Asa Norte Martha Scárdua explica que a maneira como as ações da SEEDF foram tomadas prejudicam os professores e o fluxo de ensino. "Se houvesse uma comissão com participação dos professores para um plano de S.O.S para as escolas que ficaram pra trás, ótimo. Pois seria feito junto, com quem está no chão da escola, de forma democrática", comenta a educadora. 

Para Martha, esse formato de execução “tira a autonomia da escola, e dificulta uma intervenção pedagógica conectada com as demandas que o aluno tem a partir de suas circunstâncias”.

Professor de matemática do ensino médio no colégio Paulo Freire, Luan do Planalto, 25, também se vê prejudicado pelo projeto, e avalia que a “imposição interfere no calendário acadêmico dos professores, que já possuem programa de recuperação contínua aos estudantes que apresentam rendimento baixo”, avalia.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) disse que a adesão à paralisação é facultativa. "A decisão de participar do ato cabe a cada profissional. A SEEDF ressalta que as aulas suspensas serão repostas conforme o calendário escolar, garantindo o cumprimento dos 200 dias letivos e evitando prejuízos ao aprendizado dos estudantes."


*Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado

 

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GC
postado em 21/10/2026 15:33 / atualizado em 21/10/2026 15:45
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