
O candidato derrotado ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), afirmou que pretende continuar na política e reorganizar o campo progressista após perder o segundo turno das eleições para Celina Leão (PP), ontem. Em pronunciamento na sede nacional do PT, no Setor Comercial Sul, o petista agradeceu aos eleitores, reconheceu a vitória da adversária e prometeu manter a atuação em defesa dos serviços públicos e da população mais vulnerável.
O petista disse que parabenizou os adversários da disputa pela vitória deles. "Tive a oportunidade de ligar para os dois (Celina Leão e o vice-governador eleito, Gustavo Rocha, do Republicanos), para cumprimentá-los. "Respeito a democracia sempre", afirmou. Durante o discurso, agradeceu à família, à militância, aos partidos aliados, às lideranças políticas e aos profissionais de imprensa que acompanharam os cerca de 70 dias de campanha.
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Ao avaliar o resultado, Grass destacou a união das forças progressistas como um dos fatores que contribuíram para o desempenho eleitoral. O candidato também agradeceu aos parlamentares eleitos e às lideranças que participaram das atividades de campanha. "Conseguimos unificar todo o campo progressista do DF. Tivemos a maior votação do campo desde 2010", declarou.
Cenário nacional
A manifestação de Grass também foi marcada pela comemoração da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. "Lula reeleito para o bem do povo brasileiro, da democracia e do futuro. E agora é darmos a ele toda força, toda sustentação para que ele consiga fazer o seu último governo", frisou.
O candidato também ressaltou o resultado da esquerda na eleição local e afirmou que o campo progressista mantém presença institucional no DF. "Muita gente falava há 10 anos que o PT tinha acabado. Eu ouvi isso: 'Ah, o PT acabou. Ah, a esquerda já era'. Sobrou nada da esquerda. Nós saímos da urna aqui com mais de 720 mil votos, quase isso", afirmou.
Grass exaltou a trajetória política de Lula e atribuiu ao presidente avanços no combate à pobreza e na melhoria das condições de vida da população. Também afirmou que o novo mandato deve ser acompanhado pela organização social e pela defesa das políticas públicas. "Agora é manter o povo organizado, manter a sociedade organizada também diante dos desafios desse quarto mandato. E o Brasil não pode andar para trás", disse.
Reorganização
Grass defendeu que a reorganização do campo progressista comece pela retomada do trabalho de base e pela aproximação com a população, especialmente nas regiões onde os serviços públicos enfrentam dificuldades. "A campanha não é mais do partido, ou dos partidos. Ela é uma campanha do povo. Quem se mobilizou e foi para a rua foi o povo. Nós fomos com eles, com as pessoas", afirmou.
O candidato disse que pretende continuar defendendo os grupos que, em sua avaliação, têm menos acesso aos espaços de decisão política. Para ele, a atuação dos parlamentares aliados será importante para manter as propostas apresentadas durante a disputa. "Nós vamos continuar trabalhando, como eu disse, continuar do lado da população, defendendo os mais necessitados, lutando por aqueles que não têm poder, que não têm voz", declarou.
Questionado sobre os próximos passos, Grass disse que não pretende condicionar sua atuação política à ocupação de um cargo público. O petista afirmou que continuará exercendo a profissão de professor e que ainda vai avaliar os caminhos a serem seguidos após o encerramento da eleição. "Temos um plano que não depende de cargo, não depende de função. A minha profissão é professor, vou continuar sendo professor", declarou.
Trajetória
Leandro Antonio Grass Peixoto, 41 anos, se lançou candidato pela Federação Brasil da Esperança. Sociólogo, professor e mestre em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), o brasiliense iniciou sua trajetória na militância social, foi eleito deputado distrital em 2018 e presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) até o início de 2026. Tendo como candidata a vice a professora Dora Gomes (PV), ele tentou chegar ao Buriti após ter ficado em segundo lugar no pleito de 2022.
Ao Correio, Grass comentou sobre a rotina diária em quase 70 dias de campanha. A agenda do petista começou em 16 de agosto, quando ele deu a largada na corrida pelo Governo do Distrito Federal com um ato político em São Sebastião. Desde então, o representante do PT percorreu todas as regiões administrativas para apresentar propostas, participar de caminhadas, carreatas e conversar com eleitores. A campanha do candidato estima ter percorrido cerca de 15 mil quilômetros nesse período.
Na véspera da votação, no último sábado, o petista fez um balanço da caminhada até ali e ressaltou a emoção de apoiadores que participaram dos atos públicos. "Essa é a parte mais bonita da campanha: a emoção, o sentimento verdadeiro das pessoas. De quem não recebe nada para ir à rua defender o nosso projeto. Isso não tem preço", afirmou. O discurso era de confiança na mobilização construída ao longo do trajeto, mesmo diante do desgaste de semanas de atividades. "Excelentes energias, muita coisa boa", afirmou.
Foram dias de muitos compromissos, sem tempo para comer direito, se exercitar ou ficar com a família. Logo no início da campanha, no entanto, Grass descobriu que seria pai. "No meio da campanha, descobrimos a gestação da minha esposa, e as prioridades mudaram para que eu pudesse acompanhar o pré-natal do João e estar ao lado da Marcela. Inclusive uma das formas de convivência familiar foi justamente ter ela, minha mãe, minha sogra, minha cunhada e meus sobrinhos nas agendas."
Ele também disse que, desde a pré-campanha, não teve nenhum dia inteiro em casa para descansar. "Fiquei sempre na rua ou dando entrevistas. Outra coisa interessante foi que do fim do primeiro turno para cá a empolgação das pessoas ao me encontrar foi crescendo e me emocionando cada dia mais. Ver as pessoas chorando ao dizer que confiam em mim foi indescritível."
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