Eleições 2026

Promotoria Eleitoral do MPDFT requisitará à Corregedoria da PM apuração sobre conduta de policiais na Asa Norte

Medida ocorre após denúncias de truculência, uso de spray de pimenta e supostos abusos cometidos contra mulheres detidas por defender direito de idosa de votar

Helena Bustamante foi detida por desacato -  (crédito: Vitória Torres/CB/D.A Press)
Helena Bustamante foi detida por desacato - (crédito: Vitória Torres/CB/D.A Press)

A Promotoria de Justiça Militar, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), vai requisitar formalmente à Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) a abertura de uma investigação sobre a atuação de policiais militares durante uma ocorrência na Escola Classe 415 Norte.

O pedido ocorre após publicação de reportagem do Correio Braziliense sobre denúncias de abusos, conduta truculenta e uso de spray de pimenta na detenção de uma pessoas que interviu na defesa de voto de uma eleitora idosa anos de votar, após a prorrogação da votação pelo TSE até as 19h deste domingo (25/10).

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A informação foi confirmada ao Correio pelo promotor de Justiça Militar, Flávio Milhomem.

Ouvidor do MPDFT, Flávio Milhomem avalia que canal de denúncias de violência policial para gerar mais confiança da população nas instituições e aprimoramento de políticas públicas.
Ouvidor do MPDFT, Flávio Milhomem avalia que canal de denúncias de violência policial para gerar mais confiança da população nas instituições e aprimoramento de políticas públicas. (foto: Divulgação)

O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, declarou que apurará o caso para verificar se a corporação seguiu os procedimentos legais previstos na legislação.

A abordagem ocorreu na unidade escolar por volta das 18h, quando os portões do colégio eleitoral foram fechados e uma idosa de 92 anos foi impedida de entrar para votar. Moradores da quadra que acompanhavam a cena questionaram o impedimento e desceram do prédio onde moram para interceder em favor do direito de voto da idosa.

Com a chegada de três viaturas da PMDF ao local, o clima de tensão aumentou. Os policiais militares utilizaram spray de pimenta contra os presentes e efetuaram prisões por desacato e desobediência. Entre os detidos estavam uma filha da professora e bióloga Mercedes Bustamante — referência internacional em mudanças climáticas e diretora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB).

A arquiteta Helena Bustamante, 29 anos, foi atingida por spray de pimenta no rosto e detida por desacato.

Na 5ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Helena prestou depoimento e assinou termo de ocorrência antes de ser liberada. Ao deixar a delegacia, a arquiteta denunciou ter sofrido maus-tratos durante o transporte na viatura. Segundo seu relato, os agentes dirigiram em alta velocidade para que ela colidisse contra o interior do camburão e debocharam do seu estado físico. Helena afirmou que, ao reclamar da falta de ar devido ao gás de pimenta e pontuar que denunciaria abuso de autoridade, um dos policiais teria respondido perguntando se ela queria respirar ou "calar a boca", fechando a porta em seguida.

A professora Mercedes Bustamante esteve na 5ª DP para buscar a filha e classificou a ação policial como uma "truculência desmedida e desnecessária". A docente destacou que o grupo de jovens agia em solidariedade à idosa e lamentou o desfecho violento.

Na delegacia, segundo o delegado titular da 5ª DP, Fábio Prazeres, a cientista e professora também acabou autuada por desacato. Um homem que se envolveu na situação para questionar o motivo da mulher estar sendo levada para a delegacia também foi detido por desobediência. Todos foram liberados após prestar depoimento e assinarem um termo de ocorrência.

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postado em 26/10/2026 00:47 / atualizado em 26/10/2026 17:30
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