ENTREVISTA

"Nada acontece sem educação", afirma presidente do Brasília Ambiental

Ao Podcast do Correio, Gutemberg Gomes, presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e ex-secretário do Meio Ambiente do DF fala sobre a importância de ensinar a todos , incluindo crianças e setor produtivo, como trabalhar o desenvolvimento sustentável

 28/10/2026 - Ed Alves CB/DA Press. Cidades. Gutemberg Gomes, presidente do Brasília Ambiental, ê o convidado do Podcast do Correio -  (crédito:  Ed Alves CB/DA Press)
28/10/2026 - Ed Alves CB/DA Press. Cidades. Gutemberg Gomes, presidente do Brasília Ambiental, ê o convidado do Podcast do Correio - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gutemberg Gomes, destacou a educação ambiental como forma importante de preservar o Cerrado. Em entrevista ao Podcast do Correio, ele enfatizou a relevância da fiscalização e ações integradas entre diferentes órgãos para conter os impactos das mudanças climáticas. Às jornalistas Rafaela Gonçalves e Aline Gouveia, o sociólogo e ex-secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal afirmou que a política ambiental deve ser feita em diálogo com o setor produtivo.  

O que o Ibram tem feito em relação ao avanço da expansão urbana sobre áreas ambientais?

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Temos que preservar o nosso bioma e desenvolver a cidade. Não é uma equação fácil, mas eu a chamo de desenvolvimento sustentável. A expansão urbana tem que ser observada do critério da compensação ambiental e tem que ser legal. O que temos de mais nocivo no DF é o parcelamento irregular do solo. Temos atuado muito com fiscalização, com compensação ambiental e florestal para que tenhamos uma cidade organizada para que essa ocupação gere menos impacto. Toda ocupação tem o seu impacto. Agora, cabe aos órgãos ambientais e ao GDF observar e minimizá-lo.

O DF tem 88 unidades de conservação, que somam 250 mil hectares. Como está a preservação dessas áreas?

São várias categorias para as unidades de conservação. Temos desde os parques ecológicos, que a comunidade conhece, até Águas Emendadas, uma unidade restrita à ciência e à pesquisa. Elas são fundamentais para enfrentar as mudanças climáticas. Os parques ecológicos, por exemplo, atuam no microclima. Estamos apostando muito nas unidades de conservação e nas Reservas de Patrimônio Particular Natural, áreas privadas que já nascem com dono e com recurso. Elas são geridas por uma pessoa com CPF, por um empresário. Então, temos trabalhado muito nesse alcance da proteção do Cerrado até para compensar a expansão territorial.  

Como o DF tem se preparado para as mudanças climáticas? 

Muito com a fiscalização. Temos alguns órgãos que compõem o sistema. A Secretaria de Meio Ambiente, o Instituto Brasília Ambiental, o Jardim Botânico, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU). A lógica é trabalhar de forma integrada, cada um fazendo sua parte, mas dialogando entre si e com a sociedade. Em 2023, a gente instituiu por decreto um dia de plantio de uma muda nativa do Cerrado. Em 2023, foram 10 mil mudas plantadas. Em 2024, 15 mil. Em 2025, 20 mil. Neste ano, seguramente, haverá mais mudas plantadas. Passamos a ideia de que  temos que proteger as nascentes e proteger a nossa flora e fauna para começarmos a combater as mudanças climáticas. 

Como Brasília está investindo em educação ambiental? 

Na prática, temos um programa muito interessante coordenado pelo Brasília Ambiental, chamado Parque Educador. Nós levamos os alunos das escolas públicas a uma unidade de conservação. É uma aula de imersão no Cerrado. Explicamos o que é uma nascente. Eles fazem trilhas e plantam mudas. Há palestras que falam, por exemplo, sobre emergências climáticas e transição energética. Falamos sobre incêndios florestais e percebemos que, ano a ano, temos baixado o índice de área queimada. Então, educação ambiental é fundamental. Nada acontece sem educação. Teremos, em novembro, um congresso de educação ambiental do qual o Ibram é um dos apoiadores. Tenho certeza que vamos trazer experiências do Brasil inteiro para que, de fato, a gente faça a política ambiental acontecer na ponta de forma sólida e estruturada. 

Como está sendo feita a transição energética? 

Tudo é um desafio. Estamos em um momento de mitigação de impactos e de adaptação. Estamos apostando nos carros elétricos, mas, daqui a pouco, vamos ter que pensar em uma política de logística para as baterias e para o descarte delas. O diálogo e a educação ambiental vão ser fundamentais para que as empresas percebam que o cuidado com o meio ambiente agrega valor à mercadoria deles. Estamos fazendo uma política ambiental no DF de mãos dadas com o setor produtivo. É na prática e nos projetos pilotos que vamos avançando. Até pouco tempo, o manejo integrado do fogo em nível nacional não existia, por exemplo. O Ministério do Meio Ambiente fez o primeiro seminário sobre o assunto ano passado. Em 2024, vimos o céu condensado com fumaça. Era uma herança. A fumaça veio do sudeste de São Paulo e do nordeste de Minas. Para política ambiental, não existe fronteira. O desafio da transição é o diálogo. 

*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti

 

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postado em 29/10/2026 01:20
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