Em audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a Justiça Eleitoral deu início aos procedimentos oficiais de auditoria das urnas eletrônicas que serão utilizadas no pleito de 2026. O evento, marcado pela presença de magistrados, procuradores, representantes de partidos e observadores nacionais e internacionais, definiu os equipamentos que passarão pelos testes de integridade e autenticidade no Distrito Federal.
O desembargador Ângelo Passarelli, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), destacou o objetivo central da solenidade e reforçou a segurança dos equipamentos perante a sociedade.
"Este sorteio, a observação e a administração ficam a cargo da Corregedoria. Haja vista a presença de representantes de partidos e órgãos de observação, faço essa colocação para chamar a atenção do público em geral que nossas urnas são confiáveis e passam por esse controle. Que não tenham preocupação com qualquer adulteração da vontade manifestada nas urnas; isso não ocorrerá."
Ao todo, 23 urnas do Distrito Federal foram selecionadas entre indicações das entidades fiscalizadoras e sorteio aleatório, divididas em duas frentes de auditagem.
Como funciona o teste de integridade
O teste de integridade, com 20 urnas, simula uma votação real em ambiente controlado, permitindo comprovar que o voto digitado pelo eleitor é exatamente o mesmo que será contabilizado ao final do dia.
O Juiz João Marcos Guimarães, presidente da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica do DF, detalhou o objetivo do procedimento.
"As urnas que serão submetidas ao teste de integridade visam simular uma votação num ambiente controlado de uma urna real que será recolhida onde ela se encontra e trazida para a auditoria. Nela, será processada uma votação em ambiente controlado para aferir se os votos nela inseridos batem com o Boletim de Urna ao final impresso, de modo a afastar qualquer crítica ou desconfiança do nosso processo eleitoral."
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Entenda o processo:
- Troca na seção: a urna sorteada na escola é recolhida por equipes da Justiça Eleitoral acompanhadas por fiscais. Em seu lugar, entra uma urna reserva (de contingência) carregada com os mesmos dados de eleitores, garantindo que o fluxo de votação no local ocorra sem prejuízos.
- Monitoramento ao vivo: a urna sorteada é levada para o centro de auditoria. O local conta com isolamento e transmissão por câmeras de segurança ao vivo (com timecode) pelos canais do YouTube do TRE-DF e da TV Câmara Distrital durante todo o dia e madrugada.
- Votação simultânea: depois da zerésima, no dia da eleição, auditores e fiscais digitam na máquina votos previamente anotados em cédulas de papel mantidas em urnas de lona.
- Conferência: às 17h, o Boletim de Urna (BU) impresso pela máquina é confrontado com os papéis digitados. O teste é validado quando o resultado eletrônico coincide rigorosamente com o físico.
Teste de autenticidade do sistema
Além do teste de simulação de votos, três urnas foram destinadas ao teste de autenticidade, realizado diretamente nos locais de votação por auditores e técnicos de TI.
O desembargador João Egmont, corregedor do TRE-DF, ressaltou a relevância dessa camada de checagem técnica dos programas.
"Paralelamente, será realizado o teste de autenticidade dos sistemas eleitorais. Esse procedimento verifica que os programas instalados nas urnas são exatamente aqueles desenvolvidos, assinados digitalmente e lacrados pelo Tribunal Superior Eleitoral, sem qualquer alteração ou modificação indevida. Trata-se de mais uma camada de verificação que reforça a segurança e a auditabilidade do sistema eletrônico de votação."
A auditoria é regulamentada pela Resolução TSE nº 23.673/2021 e pela Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), assegurando a transparência pública e a integridade de todo o processo eleitoral.
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