
Sem alcançar a meta de vacinar 90% do público prioritário contra a influenza, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) está disponibilizando 40 mil doses do imunizante para todas as faixas etárias. Nos últimos anos, a cobertura vacinal contra a gripe nos grupos de risco vem diminuindo. De acordo com a pasta, em 2024 atingiu 60,80%, no ano passado 57,40% e, neste ano, apenas 57% se vacinaram.
Os imunizantes contra a influenza pode ser encontrados em todas as salas de vacinação do sistema público do DF, desde ontem e seguirá até o fim da reserva. O intuito é aumentar a proteção dos grupos de risco — crianças, gestantes, puérperas, pessoas com comorbidades, idosos e povos indígenas fazem parte desse conjunto.
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Segundo a gerente da Rede de Frios do DF Tereza Luiza Pereira a ampliação busca aproveitar o período de chuvas — que traz um segundo pico no número de casos — para proteger a população com as doses disponíveis. "Como o grupo prioritário não tem buscado a vacina como esperado, ampliamos a vacinação nesse período", esclarece.
A especialista alerta que crianças e idosos são os mais vulneráveis a hospitalizações, complicações graves e óbitos. A farmacêutica descreve que o objetivo da vacina não é impedir que a pessoa contraia uma gripe ou resfriado, mas sim evitar que ela desenvolva um quadro grave, precise de internação ou venha a óbito. "Quem recebe o imunizante não fica 100% livre da possibilidade de contrair a gripe, mas evita que, caso ela contraia, ela não seja hospitalizada", reforça.
De acordo com médico infectologista Erickson Blun aqueles que não se vacinam permanecem mais vulneráveis a complicações causadas pela infecção, especialmente pneumonia. Nas crianças, o risco é ainda maior devido ao sistema imunológico delas, que ainda está em desenvolvimento. "A menor experiência prévia com os vírus influenza pode dificultar uma resposta protetora eficiente. Além disso, suas vias respiratórias são menores, o que pode favorecer complicações respiratórias", adverte.
O servidor público Marcos Vinícius Silva, de 41 anos, levou as duas filhas para atualizar as carteiras de vacinação. Rebeca Moreira, 3 anos, e Nicole Moreira, de 5, foram vacinadas na manhã de ontem. A família reside no Park Sul, mas foram até a UBS da Asa Sul para conferir quais imunizantes estavam faltando. Segundo o pai, a proteção é ideal para evitar que o vírus se espalhe. "Além de dar proteção para elas, quando o vírus não se espalha, acaba protegendo todo mundo", defende Marcos Vinícius.
Apesar de ter uma reação biológica diferente, os idosos também precisam estar atentos. Conforme o médico infectologista, o motivo é o processo conhecido como imunossenescência — caracterizado pelo envelhecimento do sistema imunológico pela redução da capacidade de responder adequadamente às infecções. "Soma-se a isso a maior frequência de doenças crônicas, como diabetes, cardiopatias e doenças pulmonares", descreve.
Os riscos também chamam atenção. "Nos idosos, além da pneumonia e da insuficiência respiratória, a influenza pode descompensar doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas. A infecção também pode desencadear eventos cardiovasculares, agravar a fragilidade e comprometer a autonomia funcional", alerta o médico.
Preciso tomar de novo?
Para continuar protegido contra a gripe causada pelo vírus da influenza, é preciso se vacinar anualmente. De acordo com o médico Erickson Blun, o vírus sofre modificações frequentes, de modo que o imunizante precisa ser atualizado periodicamente para seguir protegendo a população contra as variantes com maior probabilidade de circulação.
"Além disso, a proteção imunológica diminui com o passar do tempo, tornando necessária sua renovação", explica o diretor da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética). Blun ainda alerta que a gripe causada pelo vírus não pode ser confundida com um "simples refriado". A condição é uma infecção respiratória que pode provocar complicações graves, mesmo em adultos saudáveis.
O estudante Erick Vinícius da Silva, de 25 anos, buscou a vacina na Unidade Básica de Saúde I, da Asa Sul, assim que soube que estava disponível. "O Brasil sempre foi um exemplo de vacinação, e precisa continuar sendo. Tivemos uma pandemia que, caso a vacina tivesse chegado mais cedo, teríamos evitado muitas mortes", defendeu o jovem. Morador de Sobradinho, ele conta que o incentivo à procurar pela imunização é comum em sua família, e que sua mãe o levava aos postos desde criança para se vacinar.
O médico reforça que a vacinação é a principal medida de prevenção, e que o aumento de sua cobertura vacinal em períodos de maior circulação do vírus protege não apenas àqueles que receberam os imunizantes, mas também contribui para a proteção dos que não tomaram a vacina. "O que reduz a pressão sobre os serviços de saúde", finaliza o especialista.
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