
Saber como agir quando uma pessoa está tendo uma convulsão pode ser decisivo para a segurança dela. O assunto voltou a ser comentado nas redes sociais após episódio envolvendo o ator Henri Castelli, participante do grupo camarote do BBB26. Ele caiu da plataforma durante uma prova e apresentou sinais de convulsão diante de colegas de confinamento, gerando preocupação imediata e até mesmo algumas especulações como "coloca o dedo na boca dele".
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Apesar de assustar quem presencia a cena e do nervosismo que a situação provoca, a maioria das crises dura poucos minutos e exige cuidados simples, como proteger a cabeça e manter as vias aéreas livres, explica a neurologista Liz Rebouças, da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
A convulsão é um sintoma neurológico provocado por uma descarga elétrica anormal no cérebro. Segundo Liz Rebouças, ela pode estar associada a diversas condições, como epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), tumores cerebrais e infecções, além de alterações metabólicas como hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos e desidratação. Situações de estresse físico intenso, como privação de sono, exaustão e jejum prolongado, também podem desencadear crises, assim como o uso ou a interrupção de determinadas substâncias e medicamentos.
A médica reforça que convulsão e epilepsia não são a mesma coisa. “A convulsão é um sintoma que pode ou não fazer parte da epilepsia. Já a epilepsia é uma condição neurológica crônica, marcada por uma predisposição a crises recorrentes, sem causa imediata e reversível”, explica. Pessoas sem epilepsia podem apresentar convulsões isoladas, por exemplo, em casos de desidratação ou alterações metabólicas, sem que isso configure a doença.
As crises convulsivas não se manifestam sempre da mesma forma. Elas podem envolver alteração da consciência, movimentos involuntários dos membros, mudanças na sensibilidade ou até parada momentânea da interação com o ambiente. Em média, uma convulsão dura entre 1 e 3 minutos. No entanto, episódios com duração superior a cinco minutos ou crises repetidas em curto intervalo são considerados sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
De acordo com a neurologista, a primeira atitude é garantir a segurança da pessoa. “É importante afastar objetos que possam causar ferimentos e evitar que ela bata a cabeça. Se possível, deve-se lateralizar o corpo e apoiar algo macio, como um travesseiro ou uma peça de roupa, sob a cabeça”, orienta.
Caso a convulsão ultrapasse cinco minutos ou ocorra mais de uma crise seguida, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente.
Apesar de ainda ser um mito comum, não se deve colocar a mão, os dedos ou qualquer objeto na boca da pessoa. Segundo Liz Rebouças, isso é perigoso e não traz benefícios. “A contração intensa da mandíbula pode causar mordidas graves, além do risco de engasgo, fraturas dentárias e ferimentos na boca.”
Também não é recomendado oferecer água, alimentos ou medicamentos durante a crise, nem tentar segurar ou conter os movimentos. “Tentar imobilizar a pessoa pode causar lesões. Ela só deve ser movimentada se estiver em local de risco, como perto de escadas, fogo ou água. Nesses casos, o correto é apenas afastá-la do perigo e proteger a cabeça, sem tentar interromper a convulsão”, explica a médica.
Após o fim da crise, é comum que a pessoa fique confusa ou sonolenta. Nessa fase, o ideal é mantê-la em repouso e observar sua recuperação, buscando avaliação médica sempre que necessário.

Ciência e Saúde
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