Um levantamento recente conduzido por pesquisadores da Alemanha ampliou o debate sobre os impactos do cigarro para além dos danos pulmonares, apontando consequências relevantes também para a saúde mental. Conforme dados do Instituto Central de Saúde Mental (CIMH), publicado na revista BMC Public Health, pessoas que fumam atualmente, bem como aquelas que abandonaram o hábito há pouco tempo, apresentam maior propensão a desenvolver depressão quando comparadas a indivíduos que nunca fumaram.
A análise, baseada na Coorte Nacional Alemã (Nako), mostrou que existe uma relação direta entre a quantidade de cigarros consumidos diariamente e a gravidade dos sintomas depressivos. Em termos práticos, cada cigarro adicional por dia esteve associado a um aumento médio de 0,05 ponto na escala de sintomas de depressão, sugerindo um claro efeito dose-resposta.
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Outro aspecto observado foi o impacto do momento em que o tabagismo começa. Pessoas que começam o hábito mais tarde tendem a apresentar os primeiros episódios depressivos também mais tardiamente. De acordo com os resultados, a cada ano de atraso no início do consumo de cigarros, o surgimento do primeiro episódio depressivo ocorre, em média, 0,24 anos depois.
“Embora a associação entre tabagismo e depressão esteja bem estabelecida, os mecanismos subjacentes a essa ligação ainda são pouco compreendidos. Em nosso estudo, examinamos, portanto, em particular, as relações dose-resposta e fatores temporais, como a idade de início e o tempo desde a abstinência do tabagismo”, explica a primeira autora do estudo, Maja Völker, em comunicado.
Ao todo, foram avaliadas informações de mais de 170 mil participantes, com idades entre 19 e 72 anos, sendo cerca de metade mulheres. Os voluntários foram organizados em três categorias: não fumantes, ex-fumantes e fumantes atuais. A partir da investigação sobre o tempo de exposição ao cigarro e o número de cigarros consumidos por dia, os pesquisadores constataram que o risco de depressão era mais elevado entre fumantes ativos e ex-fumantes recentes. Esse padrão se mostrou ainda mais evidente entre pessoas de 40 a 59 anos.
“Essas diferenças foram particularmente acentuadas na faixa etária de 40 a 59 anos. Isso reforça a ideia de que, além dos fatores sociais, os efeitos temporais podem desempenhar um papel na interação entre o tabagismo e a saúde mental”, afirma a coautora do artigo, Carolin Marie Callies, da Universidade de Mannheim.
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Apesar das associações preocupantes, o estudo também identificou um dado favorável: quanto maior o intervalo desde a cessação do tabagismo, maior tende a ser o período sem episódios depressivos ou sintomas relacionados à condição. Os autores destacam, no entanto, que a pesquisa avaliou exclusivamente o uso de cigarros convencionais. Estudos futuros ainda são necessários para determinar se os mesmos efeitos se aplicam a outros produtos derivados do tabaco.
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