Quase metade da população mundial — 3,79 bilhões — viverá sob calor extremo até 2050, calcula um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicado na revista Nature Sustainability. Segundo os pesquisadores, caso o aquecimento global fique 2°C acima dos níveis pré-industriais, um cenário considerado cada vez mais provável, um número cinco vezes maior de pessoas estarão expostas a essa situação, em comparação a 2010. Brasil, República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul e Laos serão os países mais afetados por temperaturas extremamente altas.
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Países com climas mais frios também sofrerão os graves efeitos do calor intenso. Comparado com o período de 2006 a 2016, quando o aumento da temperatura média global atingiu 1°C acima dos níveis pré-industriais, o estudo constata que um aquecimento de 2°C levaria a um aumento de 100% em dias sob a condição na Áustria e no Canadá; de 150% no Reino Unido, na Suécia e na Finlândi; de 200% na Noruega; e de 230% na Irlanda.
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Infraestrutura
Como a infraestrutura nesses países é predominantemente projetada para condições de frio, mesmo um aumento moderado na temperatura provavelmente terá impactos desproporcionalmente severos, alertam os pesquisadores. "Nosso estudo mostra que a maior parte das mudanças na demanda por aquecimento e refrigeração ocorre antes de atingirmos o limite de 1,5ºC, o que exigirá a implementação de medidas de adaptação significativas o quanto antes", destaca Jesus Lizana, principal autor do estudo e professor de Ciências da Engenharia em Oxford. "Para alcançarmos a meta global de emissões líquidas zero de carbono até 2050, precisamos descarbonizar o setor da construção civil e, ao mesmo tempo, desenvolver estratégias de adaptação mais eficazes e resilientes."
Em nota, Radhika Khosla, líder do Programa Oxford Martin Future of Cooling, disse que a descoberta deve servir de alerta. "Ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento terá um impacto sem precedentes em tudo, desde educação e saúde até migração e agricultura. O desenvolvimento sustentável com emissões líquidas zero continua sendo o único caminho comprovado para reverter essa tendência de dias cada vez mais quentes. É imprescindível que os políticos retomem a iniciativa nesse sentido."
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