Um estudo divulgado nesta terça-feira (24/2) pela Nature Communications, realizado pela University College Cork (UCC), na Irlanda, acendeu alerta sobre os impactos de uma dieta rica em gordura e açúcar ainda nos primeiros anos de vida. A pesquisa investigou como esse padrão alimentar pode alterar de forma persistente o comportamento e o metabolismo na vida adulta.
Os pesquisadores ofereceram a camundongos filhotes uma dieta semelhante ao chamado “fast food”, rica em gorduras e açúcares. Depois de adultos, esses camundongos foram submetidos a uma alimentação equilibrada e o resultado surpreendeu: mantiveram mudanças significativas no comportamento alimentar, indicando que os hábitos adquiridos na infância deixam marcas duradouras.
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Apesar do peso ter sido normalizado na fase adulta, os camundongos continuaram demonstrando preferência por alimentos doces e gordurosos e consumiam mais do que o necessário. Outro comportamento observado foi o de “esfarelar” a comida, os animais remexiam e desperdiçaram parte do alimento sem necessariamente ingeri-los.
Segundo os pesquisadores, a dieta inadequada alterou o funcionamento do hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da fome. Houve redução dos neurônios ligados à saciedade, como os chamados neurônios POMC, que enviam ao corpo o sinal de que é hora de parar de comer.
O estudo também identificou diferenças entre machos e fêmeas, sendo que as fêmeas se mostraram mais vulneráveis a determinadas alterações cerebrais, enquanto os machos apresentaram mais dificuldades na forma como o organismo processa gorduras e açúcares.
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Apesar dos resultados preocupantes, os cientistas também identificaram caminhos promissores para reverter os danos. A administração de um probiótico específico, o Bifidobacterium longum, ajudou a restaurar o equilíbrio intestinal e a normalizar o comportamento alimentar dos animais. Já o uso de prebióticos, como fibras do tipo FOS e GOS, que servem de alimento para as bactérias benéficas, também contribuiu para recuperar a comunicação entre intestino e cérebro.
A primeira autora do estudo, Dra. Cristina Cuesta-Martí, alerta sobre os cuidados com a alimentação. “Nossos resultados mostram que o que comemos no início da vida realmente importa. A exposição alimentar precoce pode deixar efeitos ocultos e de longo prazo no comportamento alimentar, que não são imediatamente visíveis apenas pela análise do peso", diz.
O estudo foi fruto de uma cooperação global entre a UCC, a Universidade de Sevilha (Espanha), a Universidade de Gotemburgo (Suécia) e o centro Centro de Pesquisa Alimentar Teagasc (Irlanda). O financiamento contou com apoio da Research Ireland e da Fundação BINC (Biostime Institute for Nutrition & Care).
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Obesidade Infantil no Brasil
Dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mostram que, das 8 milhões de crianças de 0 a 5 anos acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (sus), 89,44% apresentam peso adequado para a idade. No entanto, 7,23% já estão com peso elevado.
Apesar dos avanços no combate à desnutrição, o Brasil enfrenta a chamada “dupla carga” nutricional, com casos de desnutrição e obesidade coexistindo. Em 2025, a UNICEF alertou que a obesidade superou a desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos no país.
Para enfrentar o problema, o governo aposta em políticas como a Estratégia de Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (PROTEJA), o Programa Crescer Saudável e ações do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incentiva alimentação saudável nas escolas, o SUS também oferece acompanhamento e orientação na atenção primária.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
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