SAÚDE

Especialistas explicam o que a água com gás faz no corpo humano

Vídeos que circulam nas redes geram dúvidas sobre os efeitos da bebida; para esclarecer as especulações, uma gastroenterologista e uma nutricionista explicam mitos e verdades sobre o consumo de água com gás

Água com gás -  (crédito: Nicole Wilcox /Unsplash)
Água com gás - (crédito: Nicole Wilcox /Unsplash)

Uma água com gás com limão ou um chá gelado são duas opcões que cada vez mais brasileiros recorrem na tentativa de substituir o refrigerante por algo mais saudável ou até mesmo aliviar aquela sensação de estufamento. No entanto, a dúvida permanece, será que a água com gás é realmente a melhor escolha?

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Um vídeo que circula nas redes sociais colocou o hábito em dúvida. Nele, um homem afirma que a água com gás aumenta a pressão arterial, principalmente se estiver gelada, e que seria "perigosa" para idosos e hipertensos, podendo causar vasoconstrição cerebral e aumento da frequência cardíaca.

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Para esclarecer o que é mito e o que é verdade, o Correio ouviu duas especialistas: a gastroenterologista Dra. Pâmela Oliveira e a nutricionista Carla de Castro.

Água com gás aumenta a pressão?

Segundo a gastroenterologista: não. “O gás carbônico é inerte no que diz respeito ao controle da pressão arterial. Ele atua no trato gastrointestinal e é eliminado pela eructação (arroto) ou absorvido no intestino, sem interferir na resistência dos vasos ou no volume de sangue”, explica.

Ela destaca que para os pacientes hipertensos, o ponto de atenção deve ser o teor de sódio descrito no rótulo, mas que na maioria das águas com gás comercializadas, essa quantidade é irrelevante e não impacta a pressão.

A nutricionista Carla de Castro reforça que não há evidências científicas de que a água com gás eleve a pressão de forma significativa em indivíduos saudáveis.

“Em algumas pessoas pode ocorrer um aumento leve e transitório, de até 10 mmHg logo após o consumo, devido à distensão gástrica ou sensação de plenitude. Mas esse aumento não é sustentado nem clinicamente relevante para a maioria da população”, afirma.

Pode ser usada em caso de desmaio?

Alguns internautas comentaram no vídeo que usam a água em caso de desmaio, Pâmela alerta sobre a prática. “Não há fundamento médico e é perigoso. Nunca se deve oferecer líquidos a uma pessoa com nível de consciência reduzido pelo risco de broncoaspiração”. Segundo ela, o protocolo correto em caso de síncope é deitar a pessoa e elevar as pernas.

Existe risco no consumo diário?

Para a população geral, não, a água com gás hidrata da mesma forma que a água natural. A única ressalva médica é para pessoas com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), gastrite ou distensão abdominal severa.

"O principal limite costuma ser o desconforto abdominal, e não a pressão arterial”, explica Carla, ao comentar as alegações do vídeo sobre o impacto da água com gás na pressão. Do ponto de vista nutricional, a especialista Carla de Castro afirma que não há evidências de associação entre o consumo frequente de água com gás pura e o aumento do risco de doenças arteriais.

É “veneno”?

As duas especialistas são categóricasao afirmar que não.

“Chamar água com gás de ‘veneno’ é um desserviço e puro terrorismo nutricional”, afirma Dra. Pâmela. Ela destaca que a bebida pode, inclusive, ajudar pessoas a abandonarem o consumo de refrigerantes, oferecendo a mesma experiência sensorial sem açúcar e aditivos químicos.

Carla complementa que a confusão muitas vezes ocorre porque refrigerantes de cola contêm ácido fosfórico, substância associada à redução da densidade óssea. “A água com gás é apenas água e dióxido de carbono (CO2). Não há base científica para classificá-la como veneno.”

Quanto posso consumir?

Não existe uma recomendação específica apenas para água com gás, a orientação é considerar a ingestão hídrica total do dia, que varia conforme peso, clima e nível de atividade física. 

Para quem tem hipertensão, a recomendação não é proibir, mas moderar e observar a tolerância individual, sempre checando o teor de sódio no rótulo. No fim das contas, o verdadeiro risco continua sendo o excesso de sódio na alimentação e um padrão alimentar desequilibrado.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

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postado em 03/03/2026 17:33
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