planta medicinal

A planta que serve para tratar feridas ajuda no tratamento da candidíase

Presente no Cerrado e reconhecido pelo SUS, o barbatimão une tradição popular, respaldo científico e potencial terapêutico

Planta é conhecida como cicatrizante natural  -  (crédito: Sinclair Maia/Esp. CB/D.A Press)
Planta é conhecida como cicatrizante natural - (crédito: Sinclair Maia/Esp. CB/D.A Press)

Quem já caminhou pelo Cerrado provavelmente passou por ele sem perceber. De casca grossa e tronco tortuoso, o barbatimão é uma árvore nativa que pode chegar a cinco metros de altura e carrega uma reputação antiga na medicina popular. Pouca gente sabe, mas a planta é tradicionalmente utilizada para cicatrização de feridas e tratamento de inflamações e, segundo estudos científicos, apresenta propriedades antimicrobianas e antioxidantes.

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Conhecido cientificamente como Stryphnodendron adstringens, o barbatimão pertence à família Fabaceae e ocorre naturalmente no Cerrado e na Caatinga, além de fragmentos da Amazônia em terra firme. Está presente em estados como Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Distrito Federal.

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O uso medicinal mais conhecido está concentrado na casca do caule e dos ramos. Em estudos coletados em contato com a Embrapa Amazônia Oriental, pesquisadores destacam que as cascas têm uso consagrado na medicina popular para cicatrização e infecções em geral, doenças de pele, gastrite e inflamações. Eles ressaltam ainda que a casca é utilizada internamente como antiulcerogênico e externamente como cicatrizante e anti-inflamatório.

A tradição popular sobre a planta atravessou gerações e ganhou reconhecimento oficial. Conforme registro na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS e na Farmacopeia Brasileira, o barbatimão passou a integrar a lista de espécies de interesse do Sistema Único de Saúde após estudos fitoquímicos e farmacológicos indicarem sua eficácia terapêutica. No formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, a planta aparece como cicatrizante na forma de creme.

Além do uso tradicional em feridas superficiais e inflamações ginecológicas, pesquisas do compêndio de Plantas para o Futuro indicam que substâncias presentes na casca, como as proantocianidinas, inibiram o crescimento de Candida albicans em testes laboratoriais, abrindo possibilidade para o desenvolvimento de novos agentes no tratamento da candidíase.

Pesquisadores da Embrapa do Cerrada também indicam atividade antioxidante e efeito citotóxico em células de câncer de mama em ambiente experimental, sinalizando uma possível aplicação futura. Os especialistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e não substituem terapias convencionais.

O barbatimão também chama atenção pela resistência. Pesquisas sobre populações da espécie no Cerrado demonstram boa capacidade de regeneração, alta densidade de indivíduos por hectare e viabilidade para manejo sustentável. A árvore também é indicada para uso em paisagismo, o que explica por que pode ser vista em áreas urbanas e até em jardins, como ressalta a assessoria de comunicação da Embrapa Cerrado.

A planta que cresce sozinha trata-se de uma espécie rústica, adaptada a solos pobres e ao clima seco do Cerrado, com floração concentrada no fim da estação seca e frutificação ao longo de grande parte do ano. Ainda assim, pesquisadores alertam que a exploração predatória da casca pode comprometer a sobrevivência da árvore.

Em contato com a Embrapa, foi ressaltado que a retirada da casca deve seguir técnicas específicas, com cortes parciais e intervalos adequados para permitir a regeneração natural. A extração errada pode levar à morte da planta e aumentar o risco de erosão genética, especialmente em áreas já pressionadas por queimadas e desmatamento.

Outro ponto de atenção é o uso seguro. Apesar da fama de planta curativa, as sementes são consideradas tóxicas e não se recomenda o uso da casca em casos de constipação intestinal ou em feridas profundas já infectadas. A automedicação também não é indicada.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

 

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postado em 05/03/2026 13:41 / atualizado em 05/03/2026 13:55
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