
Pesquisadores brasileiros identificaram um novo gênero e uma nova espécie de peixe fóssil que viveu há cerca de 125 milhões de anos. O animal recebeu o nome de Gondwanacanthus decollatus. O fóssil foi encontrado na região que hoje corresponde ao Estado de Alagoas.
A descoberta foi descrita em um artigo publicado na revista científica Papers in Palaeontology. O estudo foi liderado pelo professor Alexandre Cunha Ribeiro, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Participaram também pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
- Leia também: "Peixe do fim do mundo" aparece em praia no México
Os cientistas identificaram o fóssil durante uma visita ao acervo da coleção de fósseis da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre. O material havia sido coletado há mais de 20 anos, mas ainda não tinha sido descrito em detalhe.
O exemplar foi encontrado na Formação Morro do Chaves, que fica na bacia sedimentar Sergipe-Alagoas. Mais especificamente, ele veio de uma pedreira localizada no município de São Miguel dos Campos (AL). Depois da coleta, as amostras ficaram depositadas no Museu de Ciências da PUC-RS.
Segundo os pesquisadores, o peixe tinha corpo alto e arredondado. A parte preservada do fóssil mede cerca de 24 centímetros. O animal tinha escamas grandes do tipo espinoide, que apresentam pequenos dentículos nas bordas. A principal característica do peixe é a presença de espinhos verdadeiros nas nadadeiras dorsal e pélvica.
Esses espinhos não são segmentados. As nadadeiras pélvicas também ficam em posição torácica, mais à frente no corpo. Essa é uma característica importante do grupo de peixes com espinhos nas nadadeiras. Hoje, esse grupo inclui espécies como bacalhau, corvina, garoupa, linguado e robalo.
Os pesquisadores estimam que o peixe viveu entre 120 e 125 milhões de anos atrás. Esse período corresponde ao início do Cretáceo. Naquela época, o supercontinente Gondwana passava por um processo de separação. O Oceano Atlântico Sul começava a se formar.
O ambiente onde o peixe viveu era provavelmente continental, mas com influência do mar. Os estudos geológicos indicam um ambiente de sedimentação aluvial-deltaica. Esse tipo de ambiente ocorre quando sedimentos se acumulam na foz dos rios e formam deltas.
- Leia também: Polilaminina: a molécula descoberta no Brasil 'por acaso' que virou esperança para reverter lesões na medula
A descoberta ajuda a preencher uma lacuna no registro fóssil dos peixes espinhosos. Esse intervalo é conhecido como “lacuna de Patterson”. Antes, os cientistas acreditavam que esses peixes surgiram ou se diversificaram apenas no final do Cretáceo, principalmente no hemisfério norte.
O novo fóssil sugere um cenário diferente. Ele indica que esses peixes já existiam cerca de 20 a 25 milhões de anos antes do que se pensava. Ele também mostra que o grupo já estava presente no hemisfério sul, na região do proto-Atlântico Sul.
Para os pesquisadores, o resultado reforça a importância das bacias sedimentares brasileiras para o estudo da evolução da biodiversidade. As evidências também aproximam a paleontologia de estudos genéticos que já sugeriam uma origem mais antiga para esse grupo de peixes.
*Com informações do Jornal da USP

Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde