SAÚDE DA MULHER

Ciclo menstrual não altera desempenho cognitivo, aponta revisão

Análise de mais de 100 estudos indica que oscilações hormonais ao longo do mês não afetam memória, atenção, criatividade ou raciocínio

Revisão científica indica que as oscilações hormonais ao longo do mês não afetam o desempenho cognitivo feminino -  (crédito: Reprodução/Canva)
Revisão científica indica que as oscilações hormonais ao longo do mês não afetam o desempenho cognitivo feminino - (crédito: Reprodução/Canva)

A ideia de que o ciclo menstrual interfere nas capacidades cognitivas das mulheres não encontra respaldo consistente na ciência. Uma revisão publicada na revista científica PLOS ONE indica que as oscilações hormonais ao longo do mês não comprometem nem potencializam habilidades como memória, atenção, criatividade ou raciocínio.

O estudo reuniu evidências de 102 pesquisas realizadas em diferentes países, as quais, juntas, envolveram quase 4 mil mulheres submetidas a testes cognitivos em diversas fases do ciclo menstrual. O objetivo foi avaliar se mudanças hormonais poderiam influenciar o desempenho mental em diferentes momentos do mês.

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As análises contemplaram múltiplos domínios cognitivos, incluindo atenção, funções executivas, inteligência, habilidades motoras, criatividade e capacidades verbais e espaciais. De forma geral, os resultados não identificaram variações significativas no desempenho das participantes ao longo do ciclo.

Para especialistas, o resultado contribui para questionar estereótipos ainda presentes no ambiente profissional e social. “Infelizmente, ainda há um estigma de que as oscilações hormonais impactam as capacidades da mulher”, afirma a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os autores também destacam que as conclusões têm implicações para debates sobre produtividade e equidade de gênero, uma vez que argumentos sobre suposta instabilidade cognitiva feminina ainda aparecem em contextos de discriminação.

Apesar disso, os pesquisadores apontam limitações nos estudos analisados. Muitos trabalhos utilizaram amostras pequenas e adotaram metodologias diferentes para avaliar as participantes, o que dificulta comparações diretas. Além disso, grande parte das pesquisas foi conduzida em países desenvolvidos, onde fatores como acesso à educação, nutrição adequada e condições de saúde podem influenciar os resultados.

Diante dessas lacunas, os cientistas recomendam que novas investigações utilizem métodos mais padronizados e incluam maior diversidade de participantes. Entre os fatores que devem ser considerados estão idade, uso de contraceptivos hormonais, gravidez, proximidade da menarca (a primeira menstruação) e da perimenopausa.

Com informações da Agência Einstein*

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postado em 14/03/2026 11:28
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